quarta-feira, dezembro 09, 2015

Toca de grama

Nasci no mato
e no mato fui criado.
Meu olho tudo vê,
meu ouvido tudo ouve,
minha mente em tudo crê.

No silêncio me maltrato.
Peço à vida que me atravesse.
Sou de pedra feita d'água.
Limão azedo que amadurece.
Gentil saída do teu agrado.
Fim de semana com chuva e prece.

Meu sonho é simples,
minha vida é curta:
um beijo de tua boca,
arrepios de tua nuca.
Pra depois fica o resto,
o que não sabemos,
o corte do fio,
o fim do pavio,
o indigesto gesto.

Sou lanterna abandonada
por quem fugiu não se sabe de quê,
acesa no meio do pasto,
onde nasci e vou morrer.

quarta-feira, novembro 18, 2015

Aumentativo

Gosto das palavras com ão,
mas a poesia, não.
Mas a vida, sim.
E a vida importa mais!

Requeijão.
Mamão.
Melão.
Feijão no pote da kibon.
Tudo na minha geladeira tem ão.

Por que não vou comer,
viver a vida,
parar de versar ruindades?

Ronc!
É o que vou fazer.
12h30 chegou
e o estômago anunciou
que é hora de rangar.

sexta-feira, outubro 09, 2015

Praça nobre

Tem o Centro
e tem o Centrão,
onde sento e observo
o universo em movimento.

Ilusão.

quinta-feira, outubro 08, 2015

Chão binário

No meu sertão,
ou você é ou não.
Tem um sol pra cada ser
e cinquenta tons de cinza
só se for na cremação,
torrado depois de morrer.

Rico anda de Mercedes,
pobre de havaiana falsificada.
Doente vai de ambulância,
pintor pinta paredes,
padeiro não vende fragrância
e poeta presta pra nada.

No meu sertão,
tudo é breve, resumido.
O sim nunca é não,
o não sempre não é sim.
Ninguém faz biquim.
Todo mundo toma partido.

Não tem Pepsi:
é guaraná ou Cola-Cola.
Não tem estresse:
é trabalhar ou jogar bola.
O tempo não nubla:
é sol ou é chuva.

Não há terceira opção:
é amor ou solidão.

sexta-feira, outubro 02, 2015

Turbulência

O que pensa a aeromoça
depois que recolhe o lixo
das pessoas desatentas
e senta-se a nossa frente,
sozinha, antes do pouso?

Pensa no namorado que
a contrariou na noite anterior
e agora está longe e pequeno,
um em meio a tantos outros
homens ingratos das cidades
daqui tão diminutas?

Ou em sua vida vai e volta
pousa e decola, sobe e desce
em lugares que mal conhece,
mas imagina serem interessantes,
um dia vem com calma,
tira fotos, toma um chope,
traz a família?

Em qual horizonte deposita os olhos
maquiados e distantes?

Está com sono, acordou cedo
e ainda é só segunda-feira?
O salto do sapato a incomoda
mais que a mulher sonsa
que fez pouco caso quando
se recolheu a latinha de Coca-Cola?

Será que sente que a observam
e se encantam dela?
Será que ainda olha pela janelinha?
Será que ainda escuta o zumbido
das turbinas dentro dos ouvidos
quando está em casa
lendo um livro, vendo novela?

Agradece a Deus ou um santo
qualquer, ou talvez um Buda,
ou um espírito ou fada benfazeja
toda vez que o piloto
(quem sabe um chato)
faz bem o serviço
e toca o trem de pouso ao chão?

Não sei o que pensa a aeromoça.
Sei que pouso, mas meu coração
fica e viaja com ela.

Singelississíssima homenagem

Meus pais participaram de um encontro de casais na Igreja. Pediram para que os filhos enviassem mensagens a eles. Como hoje é aniversário do meu velho, segue o que escrevi:

Mãe e pai,
pai e mãe.
Iguais no tamanho
e na sílaba do nome.
Diferentes no que
precisa para o dois
tornar-se um, completo.
Apaixonaram-se um dia,
casaram uma hora
e vivem a intensidade
de um segundo
como se fosse longo
feito tudo que demora.
Tiveram seus filhos,
terão seus netos.
Juntos,
sempre juntos.
Um beijo!

*obs: Eles se chamam Silvana e Silvo e têm 1,63 m, senão me engano.

terça-feira, setembro 08, 2015

Raquel
tinha cachos
de Rapunzel,
cortou.
Em cada mecha
que caiu,
o rosto descobriu
e mais bonita
ficou.

terça-feira, agosto 25, 2015

Quem não faz versão deste do Drummond, bom sujeito não é ou Buda-dô

No meio do caminho,
bicudei uma pedra.
Bicudei uma pedra
no meio do caminho.

Nunca me esquecerei
de treta tão tretada.

Uma pedra bicudei
no caminho do meio.
Do meio, no caminho,
bicudei uma pedra.

terça-feira, agosto 18, 2015

Criação

Feia e espontânea,
como as coisas
que não se preocupam
com o que são,
assim se deita
a musa inspiradora
em meu colchão.

Deita, mas não
me toca.
Me olha nos olhos,
boceja e ri.
Nua e despudorada,
rouba minha coberta,
abre-se em estrela,
me empurra fora da cama
até eu cair.

Me encolho no chão gelado,
faço de travesseiro o assoalho,
tremo feito um chocalho
- até a manhã surgir.

Levanta minha musa,
espreguiça o corpo inteiro,
bota sua blusa azul
e sai.
Dá bom dia ao porteiro,
devolve o troco mal contado
ao jornaleiro,
almoça, solta um arroto
e volta.

Passa a chave na porta,
liga o rádio, televisão
fuça na internet,
toma banho,
limpa os ouvidos com cotonete,
assovia uma canção

e morre,
sem me estender a mão.

sexta-feira, agosto 14, 2015

Poema dos canaviais*

Troquei o açúcar
dos teus lábios
pelo álcool
dos botecos.
Solidão: amarga
feito chorume.
Meu coração:
moído,
só o bagaço,
de tanto levar
petelecos.


* esse eu já tinha postado AQUI, em formato de tirinha.


terça-feira, agosto 11, 2015

Segunda-feira

Um passarinho muito louco
pousou no beiral da janela
e nos deu bom dia.

Não piou e intuímos
ou imaginamos
que foi bom dia.
Disse as seis letras
espaçadas ao meio:
BOM DIA!

(Cremos mesmo
que fosse um texto
seria caixa-alta
e ponto de exclamação,
tamanha a euforia.)

Demos as costas
sem respostas
e fomos cuidar da vida.

sexta-feira, agosto 07, 2015

Quântica

Não sei quem
vi no palco
do auditório vazio:
Nelson de Oliveira
Teo Adorno
Valerio Oliveira
Luiz Bras.

Tanto fez!
Tanto faz.

segunda-feira, julho 27, 2015

Borat!



Visto há duas semanas, do sofá de casa, via Netflix e uma TV de resolução aceitável. Nunca tinha assistido antes. Desculpem algumas generalizações. COM SPOILERS, senão não tem graça! (se bem que só eu não devia ter visto esse filme nessas alturas...)

- Resolvi ver pq só tava assistindo séries (episódios de no máximo 50 minutos) e me deu saudade dos filmes. E Borat é relativamente curto (1h30). Queria manter a mesma relação "custo-benefício", sendo custo = tempo, se time is money;
- Eu gostei;
- Me lembrou Jackass e Jogo de Cena;
- Jackass pelas pegadinhas, nojeiras, exposição ao ridículo;
- Jogo de Cena pois o limite entre encenação e não-encenação é bagunçado propositalmente;
- Cenas preferidas: Borat se masturbando na calçada em frente à vitrine da loja de lingerie e Borat no culto evangélico pentecostal;
- Cenas que não gostei tanto quanto outros gostam: a briga dos dois pelados;
- Cenas que não gostei: não lembro;
- O filme talvez tenha um paradoxo: é repleto de preconceitos e inocente ao mesmo tempo. Por isso, para curti-lo e não fazer crítica moralista vazia, vc tem que discernir que o preconceito e a inocência são do personagem e não do autor;
- Por isso, o filme é um bom exercício para aprender o que é sarcasmo e ironia;
- Por isso 2: sabendo que ampla quantidade de pessoas não saca sarcasmo e ironia, o filme apela master;
- O público brasileiro médio talvez não entenda a maioria das piadas, pq tocam em situações não diretamente relacionadas à nossa cultura (eu mesmo, que não sou nenhuma enciclopédia cultural, devo ter deixado passar várias). Dublado deve ficar bem ruim tbm. Se me lembro bem, são poucas as estrelinhas na avaliação do filme no Netflix;
- Imagino o tanto de cena que não atingiu o resultado esperado (deve ter ficado sem graça) e foi cortada na edição final. Imagina o cara pagando mico nessas cenas que sequer valeram a pena por terem ficado chatas -- sem recompensa!;
- Deve ter sido um filme cansativo de filmar;
- Deve ter sido um filme com muitos processos nas costas;
- Ou será que com algumas pessoas eles conseguiram autorização para veicular as imagens?;
- Pagaram cachê para esses "atores"?;
- Creio que todo mundo tem um amigo que se parece fisicamente com o Borat. Eu tenho;
- Pessoas de caráter duvidoso dão bons personagens, pois a cada ato entram em conflito com alguma norma social. E conflito é tudo pras histórias. Por isso que os vilões são legais;
- Borat passou nos cinemas do Cazaquistão?;
- Obviamente, o Cazaquistão do filme é um tanto imaginário (pegaram um país que soaria exótico e desconhecido ao Ocidente). A capital, Astana (belo nome), não se parece muito com a vila maluca do protagonista. Olha: https://pt.wikipedia.org/wiki/Astana;
- Contudo, nada impede que no meio do país exista uma vila do tipo;
- Os grafismos retrô do filme são bem legais;
- Se só vão o Borat e o diretor do documentário pros Estados Unidos, quem é o operador da câmera de todo filme? Mas, é verossímil, pq todo contexto é absurdo. Esse só é mais um;
- "US and A" é genial! Seria tipo: nós e eu? Em alguns sotaques o I pode soar como "ei" e ficar igual a A? Ou acabo de escrever bobagem? Acho que sim. Mas eu ria toda vez que ele falava "US and A";
- Não sei se o Borat sairia vivo do Brasil. Ou é preconceito meu contra meu próprio país?

segunda-feira, julho 20, 2015

Yin e yang

Como ler e ter sono
são ações atraentes,
logo
durmo e sonho
com a metade final
dos livros que deixei
no meio
quando apaguei.

terça-feira, junho 23, 2015

Rap do apocalipse

Eu tenho medo
e acho é pouco.
Pros ralos dessa estrada
sigo eu e mais uns loko.
Tem problema não.
Vida vem em vão.
O cabo da navalha
não protege a nossa mão.
O sangue escorre quente,
manchando a minha mente.
Quem não me compreende
chama o comercial
tira as roupas do varal
e engole quente.

Piscou pra mim
o olho do furacão.
Sorriu pra mim
a banguela do capeta.
Aqui o bebê chora
e a mãe não dá chupeta.
Da linha que vai pro céu
perdi o último busão.

Eu sou do interior
do final do Fim do Mundo,
onde o sol nasce atrasado
e a solidão é um rio profundo.
Quando cai a noite
cada estrela que pisca
é uma luz no fim de um túnel
duma rua que cruzar
ninguém arrisca.
O céu é negro feito a dor.
A terra é cinza como Gaza.
O mar brilha a neon de reator.
Inferno vermelho de desgraça.

Caiu em mim
a carga do caminhão.
Acabou em mim
o efeito borboleta.
Aqui a pomba da paz decola
e volta furada de baioneta.
O pote que guarda o fel
virou e se espatifou no chão.

quarta-feira, junho 03, 2015

Latifúndio

Sento
sozinho e sossegado
na varanda
do meu rancho
imaginário
e conto
sem pressa
cabeça a cabeça
meu gado
inventado.

Sou dono
da maior fazenda
do interior do
meu estado
- não há
cerca suficiente
pra cercar
meu cerrado:
tudo é solto

tudo é meu
tudo é teu
tudo é nosso

tudo é dado
obrigado.

sábado, maio 16, 2015

Ímpar

Tem um saci
guardado dentro
da máquina de
lavar roupas.

Bate bate
lava lava
centrifuga.
O ciclo acaba.
Abro a porta
e as recolho
úmidas.

Sai ele antes
invisível
e leva toda vez
uma meia consigo.

sexta-feira, maio 08, 2015

Da rua 4

Um morador de rua dormindo enrolado em uma bandeira do Brasil suja e esfarrapada na esquina das ruas Américo Brasiliense e Barão do Amazonas, em Ribeirão Preto.

quinta-feira, maio 07, 2015

Vingadores 2: Era de Ultron



Uma semana depois, visto em 3D, legendado, uma fileira à frente de um adolescente pagando de mano e louco pra aparecer que comentava CADA cena + um sujeito que se sentou com a namorada e um pote de 1kg de pipoca na poltrona que há 1 minuto antes do começo do filme ainda estava vazia ao meu lado!
Claro: TEM SPOILERS!

- Um pouco menos divertido que o primeiro;
- Mais bem amarrado que o primeiro;
- Gavião Arqueiro É um personagem;
- Feiticeira Escarlate apenas um degrau abaixo da Scarlett Johanson no quesito beleza. Nada mal!;
- Robert Downey Jr. tá começando a ficar um tanto veterano pra super-herói. Ou eu que tô chato?;
- Luzes pro cabelo do Capitão América ficar mais loirinho -- e mto reboco na cara!;
- As batalhas sempre fazem um estrago TÃO grande nesses filmes (o novo do Superman tbm) que eu sempre penso: compensa ter super-herói pra nos proteger?;
- Claro: não aparece ninguém ensanguentado, decapitado, desmembrado, desfigurado. A censura livre censura;
- O louco é que se fosse nas HQs, apareceria um monte!;
- Só aparece morto quando cabe no roteiro. Tchau Mercúrio?;
- O mundo, claro, fala só inglês. Os aliens também. Os deuses nórdicos também. Os robôs também;
- Bela sacada fazer a Viúva Negra se apaixonar pelo Hulk e não pelos galãs;
- Admirável como balanceia bem a aparição dos trocentos personagens;
- Pq o Capitão América tinha que lutar a última luta (a maior treta de todas) sem capacete? A gnt já sabe como é a cara do ator;
- É muita ação, ritmo desenfreado, e eu sempre perco coisas no roteiro. Mas, não acho isso um problema;
- Visão mto foda!;
- Aliás, bela sacada a piada com o martelo do Thor;
- Aliás 2: Thor sem camisa já virou cota da Marvel obrigatória pras meninas/gays pirarem. Tão no direito dela(e)s;
- A Viúva Negra usa uma roupa meio Tron na luta final;
- Vi no Google: a atriz que fez a Feiticeira Escarlate achei mais bela como a personagem do que na "vida real";
- O ator que fez o Visão é o protagonista daquele filme Priest (senão me engano, baseado numa HQ coreana);
- Esse Leste Europeu... sempre arrumando confusão!;
- Vibranium é mais forte que Adamantium?;
- Gavião Arqueiro, o herói da família. Tem isso no gibi?;
- Mto legal como eles lembraram de explicar no roteiro pq as esposas/namoradas/cônjuges não aparecem no filme;
- Nessa crise econômica e o Tony Stark gastando armadura daquele jeito...;
- Uniforme do Capitão América BEM mais legal do que o do primeiro filme;
- Hulk menos divertido, mais descontrolado;
- Por falar nele, a cena final dá um bom gancho prum filme solo do monstrengo;
- Como a Marvel consegue fazer personagens como Thor e Capitão América funcionarem bem e a DC não dá conta de fazer um Superman decente???;
- Se bem que a DC consegue fazer merda até com o Batman;
- Nos cinemas: Marvel 1252752913 x 0 DC.

sexta-feira, março 20, 2015

Queda

Meu cadarço
perdeu o laço,
tropiquei
e fui ao chão.

Gravidade
não vê idade,
sexo, cor
ou religião.

Minha sorte:
encontro o Norte
na palma estendida
da tua mão.

sexta-feira, março 13, 2015

Mais um

Perambulando, caí nisso AQUI, achei sensacional e decidi "recriar" (vulgo, chupinhar mesmo):

A VIDA LOKA DE RENNER

Todo mundo bebe
suas pingas e bate seus carros.
Tem quem nem bebe
e bate.
Três dias bebia sem comer.
Embriagado, bati.

Bati,
mas, estava com um mendigo.
Levava-o para casa.
Ia dar calça
uma camisa
e um sapato para ele, de presente.

Paramos antes num posto
e bebemos uma dose de vodca.
Uma dose, não uma garrafa
como estão dizendo.
Dei uns abraços para ver se ele tinha arma.

Ele estava no crack
e me contava como tudo
aconteceu quando aconteceu.
Bati
e não sei se ele ficou mais bravo
por causa da batida
ou por não ter ganhado
os presentes que prometi.

Fim de ano
é insuportável.
Fiquei sozinho,
minha mulher foi ver a família
no Espírito Santo.
Fim de ano some todo mundo
e o artista fica sozinho.

Já pedi desculpas para Deus
e ao público.
Um momento de fraqueza,
foi o que aconteceu.
Sou pessoa pública,
tudo fica dimensionado.
Zé bate carro todo dia
e ninguém quer filmar.

Fui convertido e batizado.
Arrumei um investidor
e vou cantar para Deus.
O mundo é legal,
mas são muitas as tentações.
A gente tem de se guardar.

Confissão

Eu
na festa do peão
dum rincão qualquer 
já poguei
ao som
de Capital 
Inicial. 

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Da rua 3

Fim de expediente, vou tranquilo pela calçada a caminho do carro e de casa. Poucos metros à frente, noto um cara com camisa desgrenhada, bolsa cheia de garrafas d'água a tiracolo, boné torto sobre o cabelo bagunçado - e uma folha de sulfite amassada na mão direita. Chuvisca, estamos todos debaixo de guarda-chuvas.

De encontro, vêm um senhor e uma senhora. Ao passar por ambos, o sujeito estica o papel e prega:
- O fim está próximo. O fim está próximo.

Espanto. Retardo o passo. O homem continua.
- Pelos pecados que cometeu na vida, Hebe Camargo agora arde no fogo eterno.

Dobro a esquina, o profeta desce a rua. Em frente a uma oficina mecânica, ele aborda outro grupo com seu discurso apocalíptico. 

Não é uma gracinha?

terça-feira, fevereiro 03, 2015

Da rua 2

Na banca de revistas.
O dono, careca, argumenta com o freguês, cabeludo.
- Pode reparar. A falta de pelo é um sinal de evolução da espécie. Cada dia o homem precisa de menos. Vai chegar o dia em que ninguém mais vai ter!
Só não entendi porque ele, o dono, apesar de toda defesa, tava deixando a barba crescer.

quinta-feira, janeiro 15, 2015

Boas de 2014

Para manter a sequência, já pelo terceiro ano, vamos ao que achei de mais bacana em 2014. Critério: o que vem rápido na cabeça, mais emocional do que racional.

HQ

A Big Ass Pile of Tires | Till Lukat + The Abominable Charles Christopher | Karl Kerschl: Engraçado. 2014, até onde me lembro, foi o ano em que terminei Sandman. Não que eu não tenha gostado, pelo contrário, mas as HQs que me vêm a cabeça são essas duas, gratuitas na net. A primeira, de 36 páginas, é autobiográfica e conta a história de quando o autor alemão foi visitar um amigo no Arizona. Dá pra ler e baixar aqui (http://www.electrocomics.com/pdfs/electrocomics_Pile_Of_Tires.pdf). Aliás, todas as outras HQs do Electrocomics valem uma olhada. A outra HQ acompanha a história de um Pé Grande em um mundo cheio de bichos falantes. Uma tirinha é interligada a outra e rola uns autores convidados de vez em quando. Sugiro acompanhar desde a primeira. Dá pra fazer isso aqui (http://abominable.cc - em inglês) e aqui (http://outrosquadrinhos.com.br/serie/o-abominavel-charles-christopher/ - em português). Menção honrosa: Sweet Tooth, de Jeff Lemire, pelo selo Vertigo da DC Comics. Saiu aqui pela Panini. Ótima também.

Mangá

Vinland Saga | Makoto Yukimura: não tem a qualidade de 20th Century Boys, preferida por mim por dois anos seguidos (ainda é, na verdade), mas é uma boa surpresa. Têm uns momentos um pouco irritantes, quando fica meio mangá para adolescentes, mas tem outros animais. A história acompanha Thorfinn, filho de um guerreiro viking injustiçado, que parte para vingar o pai. Porém, a trama é permeada de fatos históricos -- e é admirável como os autores japoneses conseguem fazer (e bem) histórias ambientadas em qualquer parte do universo!

Livro

Atlântico | Simon Winchester: livro-reportagem/memória/pesquisa do jornalista inglês, naturalizado americano que já rodou meio mundo fazendo matérias. A ambição aqui é grande: contar a história do Oceano Atlântico! Ele consegue e o faz de maneira pessoal, sem chatice e com boa dose de aventura! Daqueles livros que dão vontade de ler várias vezes e nos empolgam a correr atrás de mais obras sobre o assunto. Lembro que o comprei em alguma promoção de internet. Nunca tinha ouvido falar do título, mas gostei do tema e achei a capa razoável. Para mim, essa é a melhor forma de se surpreender com um livro e tal felicidade deixa a obra ainda mais marcante.

Filme

O Lobo de Wall Street | Martin Scorsese: Que porrada! Que ritmo alucinante para um filme de três horas. E olha que nem sou muito fã do Scorsese. Drogas, dinheiro, loucura, mulheres, tramoias, viagens, CG para elaborar paisagens paradisíacas, interpretações primorosas, deturpação, imoralidade, luxo, sujeira, corrupção, bom humor -- tudo baseado nas memórias de Jordan Belfort, sujeito que, me informa a Wikipedia, era um corretor de títulos de Nova York que dirigia a Stratton Oakmont, empresa que praticava fraudes de seguro em Wall Street na década de 90. Ano passado, indiquei Gravidade. Ambos foram para o Oscar. Nenhum levou. Mas, a lista de filmes de 2013 do prêmio de fato foi muito boa!

Série

Breaking Bad | Vince Gilligan: primeira vez que faço essa sessão, porque antes eu não via muitas séries. Não que eu veja muitas hoje, mas, bom... Breaking Bad supera qualquer coisa que eu tenha lido, ouvido, assistido, tateado, provado etc em 2014! Elogios e prêmios mil mais que merecidos. Melhor série que já vi na vida, fácil. Deu ressaca ficar sem assistir, crise de abstinência... rs... Exageros à parte, o negócio é espetacular MESMO. Menção honrosa: Amores Roubados, transmitida pela Globo. A mesma emissora do Zorra Total também faz uns troços desse tipo de vez em quando.

Game

Chrono Trigger: Tô jogando a versão disponível na PSN. Meu interesse por games vem crescendo com a idade (vai entender por quê) e, pesquisando clássicos dos clássicos, encarei esse RPG. Ainda não zerei, tá perto, mas sei que quando chegar o fim também vou ficar com a mesma sensação que fiquei ao término de Breaking Bad. O jogo, lançado originalmente para o SuperNES, começa bem simples, mas aos poucos apresenta uma trama megalomaníaca, no bom sentido. Personagens carismáticos (o fato de o Crono nunca falar é sacada sensacional), grau de dificuldade bacana e imersão pura. A música que toca no Fim dos Tempos e toda vez que vamos fazer load game é coisa linda.

Música

Efêmera | Tulipa Ruiz: Das "nova" cantoras da MPB, a que mais me agradou, fácil. Um álbum em que todas as músicas são ótimas é coisa rara. Como entendo porra nenhuma de música, deixo as explicações da Wikipedia: "Efêmera saiu no fim de maior de 2010 e rapidamente conquistou a crítica e público. Com canções sutis e poeticamente diretas, cheias de arranjos simples e melodias doces e circulares embaladas pela voz única de Tulipa." Ahhh, simpatizo ainda mais com a Tulipa pelo fato de ela também ser ilustradora e ter este blog (http://ateliedatulipa.tumblr.com/) em que todas as artes são feitas no Paint Brush! Yeah baby!