segunda-feira, novembro 18, 2013

Mini reza

Pro FIQ não fui.
Fiquei em casa
fazendo quadrinhos.

Pra levar pro FIQ
de dois mil e quinze
se Deus quiser
há de querer
você também.
Amém.

segunda-feira, novembro 04, 2013

Infarto

Bati no tambor
uma música pra você gostar.
Tum-tum-tum
foi o ritmo do amor
que ecoou no salão
até a membrana arrebentar.

Silêncio de um minuto
pelas fibras rasgadas
artérias cortadas
dos átrios
e ventrículos
do meu coração
não sei por quê.

Mu

Perambular
pelo pasto
é a rotina
da vaca
do chifre
pequeno
e da
fome
comprida.
Ela morde
corta
engole
e regurgita
e masca
mais
um pouco
a grama
verde
até virar
papinha.

Mas,

pra lá
da cerca
a grama
mais suculenta.

11h35

Chuviscando,
sobe um cheiro
de terra molhada
que se mistura
ao cheiro
de fritura
do restaurante
ao lado
que faz coxinha encharcada
pra vender na vitrine
todas as manhãs
faça chuva
ou faça sol.


terça-feira, setembro 17, 2013

Tique-taque

Em cinco minutos
dá para a gente
dormir mais um pouco
perder o encontro
virar a partida
comer um pastel
quem sabe até dois.

Em cinco minutos
também é possível
fazer um miojo
tirar fora o lixo
visitar o vizinho
matar o serviço
ir embora mais cedo
fazer número dois.

Em cinco minutos
trezentos segundos
um doze avos de hora
a gente conhece
passando na rua
a moça que muda
para sempre
o compasso de todos os próximos minutos.



sexta-feira, agosto 02, 2013

Quando a Bíblia encontra o Castelo-Rá-Tim-Bum!

Coro: Depois de brincar no chão de areia a tarde inteira, antes de comer, beber, lamber, pegar na mamadeira.

Pôncio Pilatos: Lava uma mão, lava outra, lava uma!

segunda-feira, julho 22, 2013

Viagem

Uma carreta
na descida
dobra em L
e atravessa
de repente
pro outro lado
da rodovia.

Na tua frente.
Bem na tua frente.
Não dá tempo
de desviar.
Acostamento
não existe.
Só existe
o metal
desgovernado
que recorta o ar.

Os olhos
na extrema hora
se fecham.
E só se abrem
quando a estrada
de novo
é livre.


O rastro de um avião a jato.
A estrutura metálica das torres
de transmissão elétrica.
Cabos em U aberto.
Elefantes
porcos
locomotivas
e Zeus sentado no trono
do Monte Olimpo feito de nuvem.
As copas ralas dos pés de eucalipto.
Antenas parabólicas
de internet via rádio
captando ondas que não podemos ver.
O topete laqueado da senhora bonita.
A cesta de basquete.
A branca e grossa fumaça da usina.
As luzes de neon da propaganda do motel.
O cheiro azedo do riacho poluído.
A borboleta que passa
e por pouco não se espatifa no para-brisa.
Urubus olhando para baixo
e planando em círculos

sobre nossas cabeças.

sexta-feira, julho 19, 2013

No cinema

Pq vampiro
não usa as mão
pra levantar
do caixão?

Recompensa

Achava bonito
viver atormentado,
partido em dilemas,
andar mal-humorado.

Pensava que a dor
autoprovocada
o deixava mais crítico,
mais bem preparado
pra dar e levar porrada.

Assim se passaram anos e anos
de coração apertado,
de sorriso fechado,
de vida de controlados planos.

Morreu.
Fedeu.
Apodreceu.
Não foi pro céu
e se arrependeu.

segunda-feira, julho 15, 2013

Moderno plus

Outrora, havia os amantes do vinho, pensou Bonde. Djeimes Bonde.
Seres que seguravam uma taça com a delicadeza dum químico que mistura soda cáustica com ácido sulfúrico. Ou como quem provaria do cálice sagrado. O sangue de Cristo. Virou vinho, reza a lenda, não? Eram seres que tomavam um gole e, em vez de sentirem o gosto da uva, deduziam notas de carvalho, cravo, citrus, nozes etc. Notas. Líquido musical. Borbulhas de amor no céu da boca, vai ver.
Hoje, pensou Djeimes, os amantes do vinho perduram. 
Mas, não só eles.
As redes sociais estão cheias dos adoradores de cerveja e dos idólatras do café.
Beber até morrer não é mais a solução. Tem que apreciar, distinguir o lúpulo da cevada. Tudo artesanal. Tem gente que faz até no fogão Continental da própria cozinha. E fica bom, dizem. Mas, tem que ter um kit, que compra na internet. Festa de república com cerveja a 50 centavos não existe mais. Glacial, Polar, Cristal no boteco do Alemão. Coisa de fuleiro. Hoje a garrafa tem que custar pelo menos 15 conto.
É o sinal dos tempos, Bonde. Como as coisas mudam!
Café, agora, virou Cristo. Levanta defunto. Tá morto? Toma café. Como conseguem começar o dia sem antes tomar um bom gole de café? Não. Arte. Não sabem o que é? Tem que tomar sem açúcar. Pra apreciar o gosto. Do grão. Saber a torra. Nada de misturar com leite, pingado, que coisa mais de padaria! 
Tem que ser feito com coador. Despejar em xícara pré-aquecida. Tomar sem levantar o dedinho. Copo americano é quase um cachimbo de crack, aberração!
Tudo isso pensava Djeimes, deitado no sofá de casa, às 15h, de férias, vendo Telecine dublado, fazer o quê. Melhor que Sessão da Tarde.

quinta-feira, julho 11, 2013

Os Mercenários



Vi Mercenários estes dias. Vamos lá (com alguns spoilers, não muito. Se bem que a esta altura do campeonato só eu que não havia assistido este filme!):

- o filme é muito escuro. Será que é pra esconder a cara véia do Stallone?
- é tanta testosterona por metro quadrado que fica gay
- tem um monte de astro de ação, mas o foco fica no Stallone + Statham
- filme totalmente atemporal
- quer ser sátira, mas não chega a ser
- há todos os clichês do universo dos filmes de ação. O que é bom
- alguns clichês: cara que é viciado em facas; cara que é apaixonado por uma arma ultra-arregaçadora; briga por mulher; desprezo à mulher; personagem com pouco cérebro; mercenários sim, mas que lutam por causas nobres de vez em quando; militar ditador governando algum país latino-americano; empresário norte-americano financiando a maracutaia por baixo dos panos; piadinhas sarcásticas; uma ou outra piadinha mal colocada; milhares de tiros que nunca acertam os mocinhos; mocinhos que matam os bandidos com um único tiro; lutas coreografadas; caras e bocas; Harley Davidson e motos ninja; cerveja é água; perseguição de automóveis; inglês, língua universal; personagens que se redimem no final
- o Stallone salva a mocinha (Giselle Itié) e não rola nem uma bitoca no final? Porra, Stallone!
- o Statham espanca o cara que bateu em sua ex-namorada e não rola nem uma bitoca depois? Porra, Statham!
- Será que tava no contrato da Giselle Itié que ela só participaria se não beijasse o Stallone?
- O retoque na tatuagem que o Mickey Rourke faz no Stallone dura 8 segundos! Era praticamente só colocar o ponto final!
- O maior inimigo do Stallone é a fonoaudiologia
- gostei do diálogo do Stallone com o Schwarzenegger!
- tente escrever Schwarzenegger sem olhar no Google
- gostei do trauma do personagem do Randy Couture
- gostei da razão do pedido de aumento dada pelo personagem do Jet Li
- o Gunner é o personagem com a razão de ser em um filme mais nada a ver dos últimos tempos. Ainda assim, gostei
- não se leva nada a sério. Bom! Seria impossível o filme vingar se esta não fosse justamente a proposta
- Anderson Silva cabe no 3 (4, 5, 6...) se se aposentar e virar ator
- recomendação de amigo cinéfilo: veja Comando para Matar e você dará mais risada

quarta-feira, julho 10, 2013

Star Wars



Revi, depois de um bom tempo, as sagas antiga e a nova de Star Wars. Vamos lá:

Saga Antiga

- a versão que vi provavelmente não é a das antigas verdadeira. Deve ser uma daquelas que o George Lucas alterou, com novas cenas.
- é mais boba do que eu lembrava. Boba no bom sentido
- é bem-humorada, não se leva muito a sério
- o roteiro também é mais superficial do que eu lembrava
- o Darth Vader é menos assustador do que eu tinha guardado na memória
- a voz do DV é muito menos impactante do que eu lembrava que fosse (será que a voz do dublado era mais legal?)
- pensei que acharia o visual mais tosco do que de fato achei. Na verdade, achei tudo ainda muito moderno
- a princesa Leia como prisioneira do Jabba é mais gata do que eu lembrava
- as explosões, parecendo fogos de artifício, dão o charme/tosqueira de época pros filmes
- pensava que todos tinha sido dirigidos pelo George Lucas. Não!
- pra mim, o DV não mata o Obi-Wan. O Obi-Wan que se suicida
- o Luke Skywalker é muito mais sem graça do que eu lembrava
- o Han Solo trata a Leia da mesma forma que o Indiana Jones trata "as nega" dele
- aquele grito do Chewbacca é mais irritante do que eu recordava. Porém, mesmo assim, ele é legal
- isso serve pras duas trilogias: Star Wars é fascinada por amputação de mãos!
- podem me chamar de idiota nesta: eu não lembrava que os episódios eram numerados e que o primeiro filme da trilogia antiga já era o 4º episódio! Pensava que esta coisa de numerar os episódios tinha sido coisa da trilogia nova e que isso não havia sido adotado na antiga. (fico pensando no espectador dos anos 70 chegando ao cinema para ver um filme que na verdade já é o quarto de uma série - que ainda sequer mostrou os primeiros!)
- sempre achei muito legal (e sigo achando) o fato de a história acontecer no passado, e não no futuro. Um passado perdido, em vez de a promessa e previsão de um futuro megatecnológico.
- os aliens do bar do Jabba parecem os bonequinhos do Castelo Rá-tim-bum
- outra fixação da série: lutas em pontes/passagens estreitas sobre abismos!
- R2D2 é um dos personagens mais legais de Star Wars (serve pras duas trilogias)
- a marcha do DV é a melhor música da história do cinema!
- tenho a impressão que se passa mais no espaço do que nos vários planetas. Confere?
- ser Jedi é uma raridade
- qualquer um pode ser piloto da Aliança Rebelde. É só chegar!
- "Good." Gostaria de ter contato quantas vezes o DV repete esta palavra. Sei que são muitas!

Saga Nova

- se leva muito mais a sério que a antiga. E perde pontos com isso
- acho que se leva mais a sério porque o GL deve ter imaginado que o público dos anos 2000 gostaria de menos inocência, permitida nos anos 70/80
- o Mestre Yoda do Ameaça Fantasma é um boneco. Nos seguintes, é CG
- o garotinho que faz o Anakin está 1.000.000.000 anos-luz à frente do ator que faz o Anakin nos episódios II e III
- Darth Vader merecia ter sido um Anakin muito melhor
- Aliás, no episódio III em especial, o Anakin é um dos personagens mais irritantes da história do cinema
- General Grievous é um vilão bacana! (na minha memória, a voz do DV na saga antiga se parecia com a voz do Grievous)
- sequências de perseguição muito muito longas
- ser Jedi é mato
- isto ocorre na trilogia antiga também: em algumas passagens, há muita explicação por metro quadrado. Confunde que é uma beleza! Mas, vamos em frente que o que importa é ação (pensam)
- o design das naves, roupas, planetas, construções etc é espetacular
- isto ocorre aos baldes nas duas sagas: personagens que morrem nos braços de outros
- que raios seria "levar equilíbrio à Força?"
- sou mais a Leia do que a Padmé
- aliás, toda vez que a Padmé aparece, fico imaginando quantas horas a Natalie Portman ficou na maquiagem/figurino
- acho um barato o fato de todos os seis filmes começarem já na pauleira, sem precisar de mais introdução além do clássico letreiro do início que explica em que pé tá a história
- Palpatine só não é mais canastrão/teatral por falta de espaço!
- algumas passagens dariam bons memes. Como a do Mestre Yoda derrubando na arrogância aqueles guardas vermelhos (não sei o nome), assim que encontra o Palpatine, quase no fim do episódio III.
- em ambas as sagas, é sempre uma pirâmide de protagonistas: dois personagens masculinos (Luke/Han Solo ou Qui-Gon/Obi-Wan ou Anakin/Obi-Wan) e um feminino (Leia ou Padmé)
- Mestre Yoda lutando é sempre bacana de se ver!

quarta-feira, julho 03, 2013

REC



SPOILERS!!! (não muito)

Já que ontem foi Dia do Bombeiro e o Neymar foi pro Barcelona, vamos falar de um filme de terror que honra o gênero. REC. Quem já viu? Assisti no começo do ano e tive que reler a história pela Wikipedia para lembrar duns trechos. É sempre assim, não? A gente memoriza de alguns pedaços, guarda um ou outro personagem - e deleta o resto.
O filme se passa em Barcelona, com uma equipe de reportagem que vai filmar a ação de bombeiros da cidade em um prédio. É neste edifício, só nele, que rola toda a ação. A princípio, os bombeiros foram atender uma senhora que passava mal. A partir daí, tudo descamba pro lado errado até chegar em - como não - zumbis!
Zumbis são os monstros queridinhos dos seres humanos neste começo de década por quê? Acho que refletem o pânico da morte. De, em vez de passarmos pro céu do lado de lá, continuamos no inferno aqui. Pra piorar, sem consciência de nós mesmos, tocando o terror, uma versão muito piorada do pior que já somos. É quase o lema: aqui se faz, aqui se paga. Triste demais terminar assim.
Bom, voltando ao filme. Não me liguei em nenhum furo grave no roteiro. O que pra mim mostra duas coisas: que o roteiro em si é bem bom e que o filme é cativante a ponto de me fazer esquecer de reparar nos detalhes. (Viva o infinitivo!) Isso sem apelar pro que muito filme blockbuster faz: explicar dez mil coisas em 30 segundos, deixando o cara que assiste completamente perdido em meio a tanta informação, pra depois jogar uma cena de ação bombástica que é o que interessa e dane-se se o espectador não captou partes significativas do roteiro. Vamos explodir tudo, socar e dar tiros que é o que interessa.
Além disso, o filme não para de crescer até o final. Este, bizarro pra cacete, que dá medo de verdade, ainda mais se você assiste tarde da noite, no breu, como eu fiz.
Vi que já meteram um REC 2 e um REC 3 no mercado, dos quais tenho pouco conhecimento. Bom, filme de terror que se preza geralmente vira franquia e ganha um monte de sequência meio sem pé nem cabeça. Não sei se presta qualquer coisa do tipo, porque na verdade, não sou muito adepto do gênero. Especialistas, deixem uma listinha de recomendados em algum canto do vasto sertão chamado internet. Já deixaram? Vou procurar.
Mas, este REC eu curti. O melhor que vi deste O Chamado (The Ring).

terça-feira, junho 25, 2013

Acidente de percurso

Na barreira de pneus
da curva Tamburello
você me abandonou.

De leve, nos tocamos na reta.
Perdi o controle,
você seguiu em frente
e acelerou.

Sequer me viu
rasgar a caixa de brita
e espatifar os dentes.

Acelerou e foi embora
pra vencer de vez a prova.

Erguer troféu pesado
no lugar do pódio mais elevado.

(Estourar champagne
sem mim
que lhe acompanhe.)

Restou-me o resto
do resto do resto.

Quebrado, sem pino fixo,
Juntaram-me os cacos,
enfiaram num saco
e jogaram no lixo.

segunda-feira, junho 10, 2013

Dia de Namorado

Tchau amor, beijo.
(beijo)
Tchau, bom trabalho.
Fica à vontade.
Tá.
Fecha porta, duas rodadas na chave. Ela sai.
Ele levanta a bunda do sofá. Vai até o notebook. Ela deixou ligado.
COM O FACEBOOK MINIMIZADO.
Coração esmurra o peito.
Ele clica. A página azul claro enche a tela do computador.
Ela tem uma nova mensagem, alerta um aviso vermelho rodeando um número 1, em branco.
Ele clica.
"Te pego hoje depois do trabaloh. T amo!", digita errado Bruno G.
A pressão dele vai ao chão. O Bruno.
Depois sobe ao teto.
O Bruno, caralho!
Filho da puta!
Ele treme. Soca a mesa. Fecha a tampa do notebook num tapa.
Filho da puta desse Bruno! PENSEI QUE FOSSE VIADO!
Tá comendo a minha mina!, arremata.
Ele calça a havaiana verde que ela deu pra ele, destranca a porta e sai. Tremendo, sempre.
Vai pra casa do Bruno ou pro trabalho dela, ele pensa no meio do caminho?
Coragem.
Para num bar. Pede uma cerveja. Pede outra. Mais uma. E a saideira.
Vai pro trabalho dela.
Chega gritando. Pula a catraca da recepção. Entra no elevador. 6º andar.
Empurra a porta de vidro do escritório. Que bate na parede e trinca.
A secretária assusta e grita. O povo das outras salas se levantam pra ver o que rola.
Lá vem ela.
Lá vem ela.
Sua vagabunda! Filha da puta! Tá dando o cu praquele bicha! Filadaputa!
Parte pra cima dela.
Erra o tapa.
O chefe dela segura ele pelo braço.
Ele se solta e empurra o chefe, que cai de bunda no chão, bate a cabeça na parede e vê estrelas.
Do que você tá falando, seu louco?
Você é louco? Seu louco!
Ele tenta mais um tapa. Erra de novo.
Um colega de trabalho bombado agarra ele pelo pescoço. Uma gravata. Ele e o fortão vão ao chão.
Ela chuta ele. Mira no saco, mas acerta a coxa esquerda.
Seu louco! O que você tá fazendo aqui? Olha o que você fez!
Um colega de trabalho bonitão segura ela. Seu braço resvala nos peitos dela. Ele (o colega bonitão) gosta.
Você tá me traindo! Sua puta! Sua desgraçada! Puta!
Ele chora.
Ele engasga, pois o bombado estreita a gravata.
Ela chora.
EU VI A MENSAGEM DO BRUNO NO TEU FACEBOOK!, ele grita.
Ela para de se debater. O bonitão abraça ela, meio que por trás.
Ela olha pra ele, no chão, chorando feito criança.
Olha pro chefe estatelado na parede.
Sente a mão do bonitão na cintura.
Você olhou meu notebook?
OLHEI!
Era o Facebook da Mara que tava aberto.
Ela tava mexendo no note. Saiu antes de você acordar. E eu não quis fechar.
Mara, a colega de república.

sexta-feira, junho 07, 2013

Umbigo sem Fundo



Umbigo sem Fundo. Título bacana. Ego sem fim, isolamento infinito, pelo que entendi. Trama claustrofóbica de tão fechado o círculo de personagens. A família Loony e mais um ou outro. Tudo isso em 700 e tantas páginas de várias engenhocas narrativas. O livro pesa na mão. Mas, a gnt lê rápido. Têm páginas que são um só quadrinho. E os quadrinhos não são infestados de textos, que nem rola nas HQs de super-heróis. É num ritmo mais mangá: muitos quadrinhos para mostrar uma mesma ação. Não tem bem uma trama. É a reação dos filhos ao divórcio dos pais, já idosos. Os filhos (e agregados) vão visitar os pais pra uma espécie de "semana de despedida." Em meio a isso, cada um vive sua disfuncionalidade particular de relacionamento. Então, se vc quer reviravoltas e uma história mirabolante, não é pra vc. O esquema são os personagens. E olha que eles são bem mundanos. O tchan mesmo são as invenções narrativas. Ou: como deixar uma história desinteressante interessante. Porque não acontece nada demais. Tem aquela pegada blasé de quadrinho "autoral"/cult norte-americano. Porém, o jeito que é feito faz a diferença entre o de boa qualidade e o de qualidade ruim. Passagens nonsense tbm tão um brilho na coisa. O Peter, p. ex., retratado como um sapo, com cara de Muppet. Gostei. O Dennis, que nunca aparece sem o meião e a chuteira, a mesma roupa, como se fosse da Turma da Mônica, gostei tbm. A feiura bonita do traço do autor, tbm é bacana. O fato de não ter uma moral da história tão escancarada - mas, de não deixar de a ter tbm: achei excelente. Por fim, vale um fds de leitura. Uma releitura mais pra frente, quem sabe.

segunda-feira, junho 03, 2013

Dentes Guardados (Daniel Galera)



A internet é boa porque vira e mexe a gnt encontra coisa bacana de graça ou a um preço digno - e sem ser pirata (se vc tiver estes pudores). Uma opção legal é o ebook Dentes Guardados, do Daniel Galera, autor que já tem quatro ou cinco livros publicados e nome fácil entre os críticos, cults, grupos literários e PIMBAs tbm. O ebook tá no site do autor (http://ranchocarne.org). Pra ler, é preciso instalar o kindle, que vc acha na faixa no site da Amazon

Vamos aos contos, todos sobre relacionamento, com uma dose de putaria, universo alterna/urbanóide, ilegalidade e jeitão de autobiográficos (ou histórias/trechos vividos por amigos) - embrulhados no estilo fluido e cativante do escritor.

Amor Perfeito: garota que reclama do namorado, que faz tudo o que ela quer. Curto, fácil de ler, intenso e com final esperado, por ser o único possível.

Chichê Romântico: um cara e uma mulher numa mesa de bar. Ele fica filosofando pra dentro. Só antes de ela dar uma notícia importante. Depois, bum!, o choque de realidade. Não lembrava muito deste conto. Não é dos mais interessantes.

Intimidade: um cara faz escândalo pq a namorada usou sua escova de dentes. Aí tem umas cenas de sexo, pensamentos sobre a vida a dois e um fim bem bom. Foi o primeiro que li e um dos que mais gostei.

Natureza Morta: um cara que vai pra cama com uma mulher mais velha que ele conhece na balada. Curtinho, com uma participação especial que muda toda natureza do encontro.

Os Mortos do Marquês de Sade: um grupo vai acampar em uma cidadezinha e resolve levar coisas embora. É a arrogância dos caras da cidade grande contra os valores da cidade pequena. Uma história que te envolve em um clima ruim, de violação, sei lá. 

Será numa Quinta-feira: uma mulher que, sem querer, desvia do caminho tradicional casa/trabalho. E das obrigações, consequentemente, também. A sinopse fala por si só. Mais poético que os outros, bem legal.

Triângulo: Triângulo amoroso com doses de inesperado. Por não ser mastigadinho e deixar pontas soltas, deixa espaço para interpretações de quem lê. Recurso batido, mas batido justamente por ser bacana de ser usado - e não por ser fácil de ser usado. Tem que ter a mão pra acertar. E o DG conseguiu. Um dos melhores contos.

Subconsciente: garotos do universo paralelo do conto têm de passar por uma "cirurgia" que para garotos/meninos/homens/senhores de nosso universo seria igual a perder a identidade. Quase isso. Legal, mas esperava um final mais impactante. Azar o meu.

A Escrava Branca: um cara coloca um anúncio no jornal em busca de uma escrava branca, que satisfaça todos os seus desejos e algumas obrigações. Mas aí surge outro sentimento, pelo menos em um deles. A ideia é original e fetichista, o desenvolvimento é mais ou menos original, mas competente. O fim tbm.

Manual para Atropelar Cachorros: Impossível não querer ler um conto com um título desses. A maldade atrai, quem não sabe disso? Contraponto fica por conta da naturalidade e certa ingenuidade do narrador. É o mundo cão contra os cães. Um dos meus preferidos.

Alguma Psicologia: um cara sai com uma garota, mas descobre que ela exerce uma profissão lá não muito bem vista pela sociedade. E assim vai. Nem os alternas lidam bem com as putas. Que coisa.

Todas as Rosas do Balde: uma menina vende flores na rua. O mundo cão em sua pureza. E o mundo cão versus a pureza. Daqueles que deixam um sentimento ruim no peito. Não porque o conto tem qualidade ruim, claro.

Tiroteio: um cara puxa conversa com um pescador dentro de um bar. O que seria uma conversa jogada fora, torna-se um martírio. Acho que é um conto sobre aceitação, se entendi bem. 

Dafne Adormecida: um casal acorda num quarto de motel, atrasado pro trabalho. É o clássico prazer x obrigações, felicidade x trabalho, rotina x aventura. Bom conto, sempre com a aura "poucos pudores" que o autor desenvolve neste livro.

Homem de Ferro 3



SPOILERS PELA FRENTE!!!

Pô, o mais legal dos filmes do Homem de Ferro não tá neste 3: Tony Stark quebrando tudo com a armadura!

Na maior parte das cenas, inclusive as de ação, o cara tá sem ela. Nas que ele usa a armadura, ela sempre tá com defeito! Tudo bem, o roteiro explica porque isso ocorre, mas, eu paguei pra ver o Homem de Ferro. E Homem de Ferro há pouco.

Cenas que não gostei nenhum pouco: 1) Tony Stark invadindo o covil do Mandarim usando apetrechos a la Esqueceram de Mim; 2) As armaduras explodindo que nem fogos de artifício; 3) Tony Stark retirando cirurgicamente os estilhaços de seu coração (se uma cirurgia resolvia o problema, pq não a fez antes?); 4) Peper Potts com superpoderes. Além disso, acho que exageraram na metrosexualzice do Tony Stark. Até onde sei, o personagem não é tão assim.

Cenas que gostei: 1) O começo do filme, com aquela música de baladinha que fala que tudo na vida é azul; 2) Garotinho que auxilia Tony Stark no Kansas (bom ator mirim); 3) Destruição da mansão: tá certo que foi meio ilógico um cara que tá vivendo crises de ansiedade entregar o próprio endereço pro maior terrorista do momento, mas a detonação da casa ficou bacana.

Outro ponto: ainda bem que não sou mto fã do Homem de Ferro nos quadrinhos. Pq se fosse, acho que detestaria ainda mais esta versão fake do Mandarim que inventaram no filme. Não sei se na versão Ultimate ele é assim, mas um Mandarim de verdade ficaria mais interessante.

Pra terminar. Fiquei com a impressão que deram uma batmanizada neste último Homem de Ferro. Batmanizada a la Christopher Nolan, quero dizer: isso de deixar o herói vulnerável, incapaz de resolver os perrengues por si só; de retratar mais a identidade secreta do que o herói em si; de FINGIR que a trama é realista simplesmente por adicionar "cotidianices". Tudo cai por terra se considerarmos o que bem lembrou meu amigo Renato Martinez: nada é realista quanto temos um cara vestido de morcego. O que também serve para os trajados de armadura.

terça-feira, maio 28, 2013

Prometheus



TEM SPOILERS!!!

(o que são spoilers?, vc me pergunta. no começo, eu também não sabia bem e ignorava o recado quando aparecia nas matérias do Omelete. depois descobri que é tipo um sinal amarelo, pra vc não avançar a não ser que tenha certeza que QUER saber pedaços fundamentais da história a ser comentada.)

Bom, vamos lá.
Notas sobre Prometheus, visto na tela de um note velho, sem o impacto e o som dolby digital 5.1 do cinema. 3D então nem pensar. Maio de 2013.

Se entendi bem, é a história dos gigantes do espaço que criaram os humanos, mas depois se arrependem e tentam ir para a Terra com uma espaçonave em forma de ferradura repleta de larvas que se transformam em tentáculos assassinos. Tentáculos estes que atacam e matam os próprios gigantes do espaço antes de eles cumprirem a missão - e dão origem, em um dos assassinatos, a ninguém menos que: os ALIENS!

Tem o Magneto como um robô; a Charlize Theron como uma mulher que parece um robô, mas é filha (informação só revelada em uma cena propícia) do decrépito senhor que banca a expedição pro planeta dos gigantes do espaço, com a esperança de que os criadores da vida humana na Terra vão rejuvenescê-lo.

O que não entendi é porque o decrépito senhor não foi interpretado com por um ator velho com cara de decrépito, em vez de um ator jovem com maquiagem mil rugas que não engana ninguém. Pensei: bom, o gigante do espaço de fato vai rejuvenescer o velho decrépito, por isso, pra a cena posterior, é necessário mostrar o velho decrépito não mais decrépito, e sim com a cara real do ator, nova. Mas: o gigante do espaço MATA o velho decrépito sem cerimônias. Então: ?, do tamanho do universo.

Tem também a Lisbeth Salander do original sueco, que é tipo a Sigourney Weaver (não sei se é a mesma personagem, não entendo muito da saga Alien). Acho que não. Porque todo mundo morre no filme, sobram só ela e a cabeça do robô-Magneto e, teimosa como ela só, parte nossa heroína de volta ao espaço para saber: por que os gigantes do espaço queriam matar os humanos?

Onde ela vai achar esta resposta, só no Prometheus 2. Se é que o filme vai ter este nome, porque Prometheus, se lembro bem, é o nome da nave usada pra chegar ao planeta dos gigantes, que vai pro saco no fim do filme. Ou era o nome da missão em geral? Não lembro.

Por fim, um filme divertido.

quarta-feira, maio 15, 2013

ebook na Amazon!


Amigos, tudo bem?

Acabo de lançar meu primeiro ebook pela Amazon. Trata-se da primeira temporada da série infanto-juvenil O Laboratório da Margô, que desenvolvo no blog www.laboratoriomargo.blogspot.com.
Na história, em um laboratório improvisado na sala de um casarão, Margô e sua trupe desenvolvem fórmulas para qualquer tipo de problema, sempre usando métodos pra lá de inusitados.



Está com uma dor de cabeça incurável? Quer visitar as fossas abissais e não sabe como? Quer decorar a lista telefônica? Ou quem sabe sua vontade é comer todos os cachorros-quentes do mundo sem explodir? Abra a porta, entre no Laboratório da Margô e descubra os poderes da doutora de cabelos e sapatos vermelhos! Seja bem-vindo!


Muito obrigado!

quinta-feira, abril 11, 2013

Os Filhos do Fim - Parte Final


     A luz ressurge com o sol que se levanta no horizonte. Mais um dia se inicia.
     Sobrevivi ao Fim do Mundo, perdi minha família, batalhei duro para dominar a pesca das baleias perdidas e negociar a carne nos pontos acessíveis que sobraram da cidade. Poucas vezes fiz o que quis nesta vida, mas em nenhum segundo me senti um escravo.
     Desde que Jonas apareceu, no entanto, me transformei em um. Sem força de expressão. 
     Os Tubarões do Paraíso, a Trupe do Gringo, mesmo Sidney e seus imbecis e outros tantos que caçavam na Paulista não existem mais. Pertencemos todos à Profetas Pesca e Abate Empreendimentos Ltda., braço de exploração marítima da POX, Profetas Organizados Multiplicados, sociedade que atua em diversos negócios e pertence a seis idiotas que se consideram sabedores do futuro, auto-intitulados profetas. São, na verdade, escravocratas psicóticos, que sustentam o poder à base de um arsenal armado guardado a sete chaves. Dizem que possuem até um helicóptero.
     Um urubu a baixa altura cruza o céu e logo à frente passa a voar em círculos. Meu coração, contudo, não bate da mesma forma como antes. Por mais que nos esforcemos para fazer uma boa pesca, nada fica com a gente. Há sempre um capanga dos Profetas nos observando do alto de um prédio, de fuzil em mãos.
     Nossas antigas barcas não existem mais. Ganhamos lanchas inoxidáveis, movidas a motor. Sem a necessidade de vários braços para remar, Lara, Alexandre, Sérgio e Davi foram expulsos da avenida. Gringo perdeu cinco homens e o grupo ralo de Sidney foi praticamente desmembrado. Restaram ele e mais um.
     Novos caçadores foram arrebanhados, embora o pagamento de todos nós fosse duas parcas refeições ao dia. A Paulista ficou pequena para o número de baleias que abatíamos. Por isso, nossa área de atuação aumentou, nos estendemos para o Sul, pela Domingos de Moraes, trecho da antiga avenida Jabaquara e da rua Vergueiro e parte alta da Lins de Vasconcelos. 
     A lancha toca a superfície d’água e minha tristeza aumenta. Um cetáceo gordo está a poucos quilômetros, mas o instinto primitivo do caçador não aflora mais como antes. As ações são mecânicas, mero cumprimento de tarefa.
     Somos três, apenas. Estou nos motores, Gringo de arpoeiro e Júlio auxiliando ambos. Vejam só que trio... Trabalhamos mudos, sem afinidade alguma. Caçar, com tantos instrumentos apelativos e desafetos ao lado, tornou-se uma sequência apática de apertar botões.
     Três anos já se passaram e cá estamos nós, amarrados a grades que não podemos ver, aos grilhões invisíveis da escravidão. O mundo acabou e nós sobrevivemos. Porém, um Armagedom muito mais violento se instala dentro de mim.
     O Gringo dispara e o arpão penetra fácil na carne do animal. A baleia sacode o corpo, as ondas elevam a lancha. O tiro, contudo, foi no ponto certo e ela já não tem mais chance. Fácil, rápido, lucrativo – e sem graça.
     Regressamos ao Overleven, transformado em matriz da Profetas Pesca e Abate. Despejamos o cadáver gigantesco na mão dos recém-criados escravos destrinchadores, cujas facas enormes e o rosto sujo de sangue não permitem qualquer sentimento de empatia.
     Subimos. E a surpresa do dia é que Jonas e seus capangas estão entre nós. Desovam um novo grupo de escravos, dezesseis pobres diabos com boa estrutura óssea, rapazes no fim da adolescência e adultos jovens, capazes de aprenderem rápido e substituírem a nós, velhos enferrujados.
     Estamos em círculo e o coronel da Paulista fala. Faz questão de dividir com nós dados e números que apontam os lucros de sua empresa e como, em dois anos, ele foi capaz de comprar a participação de dois outros profetas. Não porque nos deva qualquer satisfação, mas porque crê na teoria de que o pobre respeita quem tem o que ele jamais poderá ter.
     - Meu destino é crescer e engolir a todos. Este é meu destino, como vocês bem sabem. Ser o único profeta.
     O homem continua a discursar, mas minha atenção volta-se para um dos recém-chegados: um garoto cabisbaixo sem barba na cara e cabelo desgrenhado abaixo dos ombros. 
     O jovem levanta a cabeça e vejo uma venda de pirata tampar-lhe o olho direito. Exceto este detalhe desagradável, a fisionomia é familiar... 
     Sinto minhas pernas fraquejarem a ponto de eu cambalear e Jonas fitar-me com olhar se assassino, suspeitando que eu estivesse embriagado e houvesse lhe roubado bebida.
     Meu coração esmurra o peito, tenho vontade de correr, de chorar, de gritar  – mas, não posso.
     O que consigo é sussurrar duas sílabas para os meus botões e formular uma pergunta, cuja resposta os anos até então se negaram a conceder.
     - Filho? 
     À distância, o garoto me observa. 
     E seu único olho brilha.

quarta-feira, abril 10, 2013

Os Filhos do Fim - Parte 5


     Da cabine, surge um homem limpo como eu não via desde antes do Armagedom. Cabelo preto penteado para trás, fixo à base de gel, óculos escuros, barba feita, camisa branca bem passada, calça de sarja sem uma ruga, chinelos de dedos – e um binóculo infravermelho dependurado no pescoço. Parece um turista.
     - Você é um exímio pescador – disse-me, com um sorriso no rosto.
     - O que quer? – respondi, desconfiado de tanta afetação.
     Ele fica em silêncio. Depois avança até o limite da proa e volta a falar.
     - Permita que eu me apresente. Meu nome é Jonas e, como vê, não sou da região. Imagino que também não passem muitas embarcações como as minhas por este canal imundo. E pensar que antes da Inundação eu era dono de cinco andares em diferentes prédios da Paulista...
     O sujeito coça o queixo e continua o discurso.
     - Creio que não é ignorante e já tenha pelo menos ouvido falar na história de meu xará bíblico, aquele engolido por este animal que vocês caçam com tanta selvageria. Soube que a avenida tinha se tornado local deste tipo de matança e quis ver o espetáculo de perto. 
     Mais uma pausa e ele prossegue.
     - Além do nome, herdei de Jonas o dom da profecia. E creio que acertarei a que vou fazer agora: Vocês vão me entregar a baleia neste instante.
    Meu rosto começava a se transformar em uma gargalhada esnobe quando de todos os cantos do iate e das lanchas homens sacam metralhadoras e fuzis – e os apontam para o meio dos meus olhos.
    O Gringo trabalhou para mim. No fim, nós dois trabalhamos para um maldito engomadinho.

terça-feira, abril 02, 2013

Os Filhos do Fim - Parte 4


      O Gringo tem de partir para o improviso, uma vez que perdeu seu arpão ao nos afundar. Sua barca é um revólver sem balas, uma bomba sem explosivo, um corredor manquitola. O que deveria me deixar sossegado, mas se trata de um dos melhores, adaptado às intempéries.
Ele ata uma porção de cordas a um grupo de lanças menores. Esperto. Pode ser que não acertem no primeiro ou segundo tiro. Mais provável que alguém tenha de desembarcar sobre o lombo do cetáceo para desferir o golpe final.
Não posso arriscar um novo tiro à longa distância. Sou bom, mas o espanhol está adiantado. É preciso esperar, fazê-lo trabalhar para a gente e dar o bote apenas no momento final e preciso. Esta é nossa tática.
O Gringo aponta a proa em direção à cabeça do animal. Não se pode aproximar muito, sob o risco de ser atingido pela cauda. Ele, claro, não comete este erro e faz o primeiro disparo. A lança penetra na carne da baleia, porém não muito fundo. O bicho se retrai, mas não se abala. Fica, na verdade, mais furioso e avança em direção à Trupe.
Há tempo para manobra. Eles desviam a bombordo e agora são arrastados pela baleia. Todo dorso do animal fica à disposição dos caçadores, que não perdem tempo. O espanhol dispara mais uma vez, e a lança desta vez finca profundo, como se fosse o mastro de uma bandeira. Ele solta uma gargalhada de satisfação ao ver o cetáceo debater-se.
É preciso esperar o animal sossegar um pouco para fazer uma nova investida. O sangue precisa escorrer para que a baleia se enfraqueça e acabe se entregando. A adrenalina tem de ser contida, sob o risco de o caçador tornar-se a caça.
No entanto, quando há concorrência por perto, este intervalo não é respeitado. Ninguém quer perder aquilo que conquistou e voltar rebocando um ser de 40 toneladas significa escambo fácil durante bons meses.
Sedento por glória, o Gringo atira duas lanças de uma só vez. Ambas se cravam com força no lombo do cetáceo, que arqueja, afunda e arrasta consigo a barca. A Trupe desequilibra-se e um dos homens cai ao mar.
A baleia retorna à superfície. A água ao seu redor transforma-se em uma pasta grossa vermelha. Urubus mais destemidos avançam e beliscam as feridas abertas. O animal imenso sofre. É nossa vez de voltar a agir.
Ordeno aos homens para virar a estibordo. Cruzamos por baixo das cordas que prendem as lanças espetadas na baleia à barca da Trupe. O Gringo observa minha manobra sem entender ao certo o que pretendo.
Temeroso, imediatamente ele dá a ordem, apesar de ainda não ser o momento.
- Puxem! 
Eles obedecem e puxam.
- Mais forte, culos!
O animal luta, debate-se a água, mas cede aos poucos.
O Gringo dispara outra lança certeira e, em seguida, mais uma – a última de seu repertório. E quando sente confiança de que a baleia está bem presa, manda:
- Remem!
E eles remam.
Quero-os assim. Bastante ocupados.
Enquanto trabalham, já chegamos ao outro lado do animal. Três barcas muito atrasadas sobem a Paulista. Preciso ser rápido, a concorrência logo ficará insustentável e a baleia acabará sendo retalhada na disputa entre muitos pescadores. 
Convoco Teresa para ser a arpoadora e lhe tomo o facão da cintura. Em seguida, pulo ao mar sem dar explicações e nado em direção à baleia. De trás do animal, o gringo não pode me ver.
 Chego ao cetáceo. Finco a ponta do facão em sua carne e escalo, abrindo-lhe mais feridas no couro espesso. Chego ao dorso e me ponho de pé. Não seguro o sorriso ao notar a cara de espanto do Gringo.
Golpeio as cordas e, uma a uma, elas arrebentam. O espanhol esmurra a própria barca ao me ver revelar o truque. Viro-me para o outro lado e aceno para Teresa. No mesmo instante, ela entende meu desejo e dispara. O arpão risca o ar zunindo e crava-se na baleia.
É a minha vez de ditar as regras.
- Puxem!
E eles puxam.
- Remem! 
E eles remam.
Pouco a pouco, o gigante pende para o nosso lado e deixa-se levar pela inércia dos braços treinados ao esforço colossal. Os urubus nos acompanham de cima. A Trupe do Gringo vem em nossa rabeira, desarmada e impossibilitada de reagir.
Entretanto, as três embarcações vindas do lado Sul da Paulista chegam a cem metros de nós. Enganei-me. Não são barcas de madeira como as nossas. E sim duas lanchas e um iate branco entre elas.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Os Filhos do Fim - Parte 3


     Estamos em sete na barca. Os homens e Tereza – rechonchuda e forte feito um rinoceronte – saem para a caça, as mulheres e dois de nós ficam de guarda na base. Esta é a regra. Não podemos apostar todas as fichas de uma só vez e correr o risco de perder o topo do Overleven, este parco território que administramos. Como foi eu quem avistou os urubus, ganho hoje o benefício de não ficar com os remos - e opero o arremedo de arpão que instalamos à proa.
    Nossos dois vizinhos estão adiantados cerca de 400 metros de nós. Chegarão primeiro ao bando de urubus, inevitavelmente. Pelas cores e características das barcas, reconheço os grupos. Um é fraco, novo no ramo e com apenas quatro integrantes, venceremos facilmente. O outro faz meu estômago encolher. Trata-se da Trupe do Gringo, os principais caçadores da Paulista, liderados por aquele espanhol imbecil que por praga divina estava em São Paulo no dia do Armaggedon.
     Atrás de nós, duas outras embarcações também entram na caça e uma terceira acaba de cair na água. Vindas da Consolação, é provável que outras mais estejam subindo a avenida.
     - Júlio, estenda nossa bandeira! – ordeno ao imprestável, que quase deixou o remo afundar ao levantar-se. Nestas horas, é importante que um grupo respeitado como o nosso ostente sua marca entre os competidores, mesmo que percamos de momento a força de um homem. Os Tubarões do Paraíso estão na briga! 
     Lá na frente, noto o Gringo preparando o arpão de sua barca. Em sua trupe, cabe sempre a ele o disparo. E é sempre dele a maior bolada nos negócios. Sidney e os demais integrantes da outra barca também se movimentam para o abate. Novatos que são, atrapalham-se com atividades que para nós já são básicas.
      É nesta hora que me bate uma ideia. 
      Ideia muito arriscada, que provavelmente não dará certo.
      - Preciso de mais corda, Tereza. Agora.
    Debaixo de uma das bancadas, ela retira um bom tamanho de corda e me entrega. O calibre não é grande, mas deve servir. Com ajuda de Caio, desato o nó que prende o arpão à outra corda, emendo uma a outra com um nó aprendido nos meus tempos de escoteiro e então engato o arpão. O alcance do tiro deve ter dobrado. Hora de fazer o teste.
      - Parem de remar!
      Todos me olham estupefatos. Nenhum deles cumpre minha ordem.
      - Não me ouviram, imbecis? Larguem os remos!
     Agora sim. É preciso ser estúpido para manter o respeito. Com a barca livre de movimento, a mira é mais precisa.
     Calculo bem e disparo.
     O arpão risca o ar e leva consigo as duas cordas emendadas. Sidney e o maldito Gringo quase caem de suas barcas quando o conjunto passa zunindo no estreito vão entre elas - e segue com violência rumo ao amontoado de urubus. 
     Ouvimos um impacto seco. Surpresos, os pássaros negros batem as asas em desesperada revoada. O ser outrora encoberto revela-se e sacode a cauda com fúria sobre a superfície da água. O golpe acertou-o em cheio.
     - É mesmo uma baleia, Rafael. Belo tiro! – cumprimenta-me Júlio.
     Puxa-saco cretino. Claro que foi um belo tiro. Eu estou no comando.
     O animal sacode-se na água, que se mancha de vermelho. O arpão, contudo, está cravado fundo. Gringo vira-se para trás e vê nossa barca se aproximando, a toda força. Animados com o tiro preciso, os homens animam-se e remam com fúria. Vejo com prazer o espanhol xingar sua tripulação e desequilibrar-se por causa do rasante de um urubu assustado. Já Sidney e sua barca de amadores estão abaixados, com as mãos na cabeça e medo das aves pretas.
     - Vamos! É a nossa chance! – grito para os Tubarões.
     Invadimos o círculo dos urubus. A Trupe do Gringo e os juvenis da outra barca deixaram de remar e utilizam os instrumentos para afugentar os pássaros descontrolados. Não nos importamos com o tumulto e seguimos em frente, suportando em nossas cabeças o impacto das aves.
     Levanto-me. A posição é ideal. Apanho uma lança de abate e faço mira. É hora de um novo golpe, para minar as forças do animal marinho e tomar posse de sua carne. 
     Milésimos antes de efetuar o lançamento, sinto a lateral-direita de nossa barca se romper. Lascas de madeira voam pelos ares. Marcelo grita assustadoramente. Um arpão está atravessado em seu fêmur. Uma corda retesada liga o instrumento à barca da Trupe do Gringo.
    Teresa saca um facão da cintura e, em cinco golpes, arrebenta a corda. Ela analisa a perna do companheiro e conclui que é impossível retirar o arpão sem que o ferimento piore. Emanuel e Gustavo tentam com o próprio corpo tapar o rombo, mas não adianta. Aos poucos, a água invade a barca pela lateral – e ela afunda.
     O Gringo ri e avança.
     Eu engulo a raiva e raciocino. O imbecil agora está sem arpão. Em breve, a vantagem que conquistou pode se transformar em revés. Temos uma chance. Mas, será preciso que também joguemos sujo. Sinceramente, não me importo com isso.
     Enquanto nossa barca ainda não afunda, ordeno que os homens remem a boreste. Marcelo, incapacitado, recosta sobre o furo do casco. Eu me armo com duas lanças, enquanto vejo do outro lado o espanhol maldito amarrar uma corda a outra lança. Vai usá-la como arpão.
     Explico meu plano aos homens e todos se preparam. A força com que remamos rápido faz com que nossa barca fique lado a lado à de Sidney. Percebendo nossa aproximação, os amadores tentaram acelerar. O fato de serem em menor número e muito atrapalhados torna-os presa fácil.
     Levanto as duas lanças sobre a cabeça e giro as pontas em direção à testa de Sidney.
     - Abandone a barca! – grito, apenas.
     Um dos tripulantes, um baixinho infeliz, deixa de remar e me mostra o dedo do meio.
     No mesmo instante, arremesso uma das lanças. A prática que venho adquirindo faz com que o tiro seja certeiro – e destroce a mão do sujeito.
     Sidney me olha incrédulo. Volto a apontar-lhe a lança e repito a ordem de deixar a barca.
     Ele sabe que é mais fraco e despreparado. Assim, pede que os homens parem de remar e pulem na água. Assustados com o triste fim do companheiro, todos obedecem, inclusive o maneta. Sidney é o último a abandonar o navio e, homem do mar que é, o faz lançando-me uma praga.
     - Vá pra puta que te pariu, filho da puta!
     Solto um sorriso de canto de boca enquanto o vejo mergulhar nas águas da Paulista. Bem que eu gostaria de rever minha mãezinha, mas sabiamente ela morreu antes do Apocalipse. Os fins justificam os meios, caro Sidney. Desculpe ser tão agressivo com sua tripulação.
     - Mudem de barca, agora! – digo a meus subordinados.
     A troca é rápida, exceto por Marcelo, que não consegue levantar a perna e ficar de pé. Júlio e Alexandre tentam ajudá-lo, mas não mantém o equilíbrio e o deixam cair. Metade de seu corpo fica dentro d’água e ele força a beirada da barca recém-adquirida para tentar subir. Balançamos. Teresa quase cai. Sérgio derruba um remo. Estamos perdendo tempo. É preciso agir.
     Chuto os dedos de Marcelo e ele afunda na água. Todos me olham estupefatos e Júlio faz menção de pular para resgatar o companheiro.
     - Não ouse! – esbravejo.
     Marcelo reaparece e lanço-lhe um pedaço longo de corda.
     - Amarre-se a algum pedaço de madeira. Viremos resgatá-lo.
     Viro-me para o restante da tribulação e grito.
     - Apanhem os remos! Não podemos perder esta baleia para aquele verme espanhol! O animal é nosso por direito!
     O grupo se põe a trabalhar. Seguimos em frente. Meus métodos dão certo. Ao lado, nossa antiga barca afunda. Não importa. Temos uma nova – e um novo arpão.

quinta-feira, janeiro 03, 2013

Os Filhos do Fim - Parte 2

      Toda vez que nossa barca cai no rio salgado e sujo que há um ano havia sido a Paulista, é inevitável voltar ao tempo – quando o vai e vem intenso dos veículos era a máxima imagem que tínhamos do caos. Inocentes, reclamávamos de barriga cheia.
     No novo mundo não há espaço para tal luxo. É a fome, antes de qualquer ambição, que governa nossos sentimentos. Quando o estômago se contorce de dor por falta de alimento, não há espaço para se querer outra coisa. Se houvesse mil reais na carteira e o grito da desnutrição ribombasse na barriga, as notas seriam o almoço do dia.
     Mil reais. Fora as comissões, o valor é metade do salário que eu ganhava para cruzar feito louco esta cidade. Era vendedor, dos bons. Daqueles que convenciam o cliente de que desembolsar o que não tinha era a melhor alternativa. Os bônus eram gordos, eu comprava presente para as crianças no shopping, descia à praia fim de semana sim, fim de semana não, cursava à noite minha segunda faculdade. Vida boa.
     É a habilidade para vender que me mantém em pé neste mundo louco de agora. De nós 13, sou eu o responsável pelo escambo de suprimentos com os outros edifícios. Voltei a rodar São Paulo inteira, ou melhor, os setores elevados que restaram da cidade. Sempre, claro, com um punhal escondido na cintura. Os novos tempos não são tão amigáveis.
     Andar assim por toda parte é também a forma de eu alimentar a esperança de reencontrar minha família. Filho único, sem pai, nem mãe desde a adolescência, os três são tudo o que me resta - se é que ainda estão vivos.
     Nós, os remanescentes da Paulista, especializamo-nos na pesca. Não porque algum de nós ou dos outros prédios vizinhos dominasse a arte. É que pela avenida, seja lá por qual razão, se tornou comum surgirem baleias perdidas, desgarradas do grupo. Em dias de muita sorte, duas ou três chegam a aparecer juntas.
     Provavelmente no rastro de um cetáceo gravemente ferido é que os urubus sobrevoam a área, em círculos. Em um universo em que comer carne é tão valorizado quanto já foi ostentar um pescoço recoberto de ouro, trata-se de uma mercadoria imperdível.
     - Remem, lesmas! Estamos atrasados! - gritei.
   Levou um certo tempo para a barca engrenar e mover-se com a velocidade ideal. Somos 13 sobreviventes do fim dos tempos, contudo, não somos amigos de infância. Nós nos toleramos para não morrer, estamos juntos por necessidade – e por ninguém mais ter família. É preciso paciência, por exemplo, para não estourar a cara de Júlio, sujeito folgado que antes das ondas gigantes curtia a vida de filho de usineiro. Depois que todo canavial do papai foi literalmente por água abaixo, ele se tornou meu encosto particular.
     Quando o tsunami emergiu pelos lados do Paraíso, por volta das 16h do dia 21 de dezembro, eu chegava ao último andar do Edifício Overleven, onde funcionava o escritório de uma empresa de suprimentos, minha cliente. Tiago estava do outro lado do balcão, entregando-me um documento. Sérgio bebia água no bebedouro ao canto, Cínthia estava ao telefone e Lara, Alexandre, Betina e Davi trabalhavam debruçados nos computadores.
     Os demais estavam dois ou três andares para baixo e tiveram tempo de subir antes de serem arrastados pela impressionante força das ondas. Joaquim e Emanuel estavam no terraço, dando manutenção na casa de máquinas do elevador. Estávamos no lugar certo , na hora mais errada de todos os tempos. Deus seja louvado por isso, apesar de consentir que a desgraça se abatesse sobre nós.
     Ainda hoje, se estou amuado a um canto, é porque me passa pela cabeça as imagens do Dia Final. O impacto violento que sentimos na estrutura do prédio e levou todos ao chão... O estrondo furtivo das águas inundando os andares inferiores em segundos, arrebentando paredes e retorcendo as estruturas... O grito das pessoas cujos corpos eram dilacerados pelo peso das ondas.
    Instintivamente, subimos. No terraço, encontramos os dois técnicos com as mãos nas cabeças, observando horrorizados o cenário. Até a Consolação, toda avenida estava alagada. Uma infinidade de carros e ônibus boiavam e outros muitos eram arrastados rumo ao final da Paulista. Incontáveis pessoas lutavam contra a correnteza, mas eram engolidas assim que uma nova onda surgia. Prédios mais baixos desapareciam e os mais fracos tombavam à medida que o nível d’água elevava-se.
     Por semanas, a avenida se tornou um rio imundo, empastado de lama, ferro e aço revirado, destroços, carros e milhares de corpos de gente e animais à deriva. Tantos que foi impossível resgatá-los para um funeral decente, abandonados para o banquete dos urubus, que nunca estiveram tão gordos.
     Aos poucos, contudo, a força da correnteza foi diminuindo e a linha d’água baixando até o nível atual. Hoje, a avenida mais parece um largo canal de água parada. O cheio de podridão ainda é forte, contudo, mais suave do que já foi um dia. Alguns veículos foram resgatados pelos sobreviventes e servem agora como abrigo. Eu mesmo divido uma Tucson com Davi, no alto do terraço. Antigo sonho de consumo este carro. Nada mais irônico. 
     Os corpos foram todos devorados. Aqui e ali restam apenas algumas ossadas e uma ou outra caveira que nos sorri como se nada de ruim tivesse ocorrido.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Boas de 2012


Vi que alguns blogueiros fizeram um apanhadão do que de melhor rolou em 2012.
Vou fazer aqui também. Não sei realmente se foi o de melhor que eu li/vi/ouvi, mas é o que rápido veio à cabeça como “coisa boa do ano passado”. O critério, então, é mais emocional que racional e comparativo. Chega de conversa e vamos lá!

HQ

Detective Comics nº 871 a 881 – The Black Mirror | Scott Snyder, Jock e Francisco Francavilla.  Resenha aqui no próprio Eita Peste! http://epeste.blogspot.com.br/2012/01/hqs-de-2012-detective-comics-871-881.html

Mangá

20th Century Boys | Naoki Urasawa. Li só o número um, mas já valeu bastante. É bem instigante.  Monster é do mesmo autor. É bom também? http://pt.wikipedia.org/wiki/20th_Century_Boys

Livro

Paraíso Líquido | Luiz Bras. Fiz uma resenha curtinha no fim deste post. http://epeste.blogspot.com.br/2012/11/mais-leituras.html. Este tem também um gosto especial, pois ganhei do próprio autor. Não porque eu sou legal, mas sim porque o Luiz Bras estava dando o livro a quem mostrasse interesse. Destaque: o conto Déjà-vu.

Filme

O Segredo dos Seus Olhos | Juan José Campanella. Disparado, o melhor do ano. http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Segredo_dos_Seus_Olhos

Game

God of War Collection. Comprei um video-game há exato um ano, depois de uns 12 anos sem ter um. A escolha pelo PS3 e não pelo Xbox 360 foi simples: ganhava quem tivesse este jogo, do qual já era fã só de ver vídeos no YouTube. http://pt.wikipedia.org/wiki/God_of_war

Música

The Great Mass | Septic Flesh. Uma banda de death metal da Grécia? Achei bem exótica a recomendação do Café de Ontem e mandei o torrent. Som de primeira, mas só se você gosta de barulho. Para mim, também lembra trilha sonora de video-game. http://cafedeontem.wordpress.com/2011/08/25/septic-flesh-the-great-mass/