quinta-feira, junho 25, 2009

O diploma de jornalista

Os jornalistas. Ah, os jornalistas! Esta raça a qual eu faço parte lembra-me muito aquela propaganda das Havaianas com o Lázaro Ramos. Tá ele e outro maluco lamentando as mazelas do Brasil, um país tão tchutchuco, mas cortado de pobreza, desigualdade, corrupção e violência...
Nessa, entra um argentino e se mete na conversa, arrastando um belo portunhol de mentirinha: "Jo tambiem no compreendo. Um país como esse, como que é pode?". É na lata: o hermano acaba de falar, Lázaro e o outro tomam as dores e começam a defender o Brasil. Que que esse argentino tá querendo?
Assim são os jornalistas e esta história do diploma. Já estou cansado de ver/ouvir (eu mesmo, quantas vezes?) nego dizendo que ganha pouco, que trabalha feito um condenado, que aquilo é profissão de doido, estressante, cheia de cobranças, matérias chatas, chefes intolerantes, colegas incompetentes, estrutura precária, telefone que não para de tocar, elogio que nunca vem, horas e horas de trabalho, plantão nos finais de semana e feriados, café ruim e água esquisita.
Então, vêm os Ministros do Supremo (Arrentina!!!) e rasgam o diploma. Quer ser jornalista? É só começar! Ponha um adesivo "Reportagem" na caranga e tá valendo: sai pro crime, cai na loucura, cria um blog e virou notícia. Aí, meu colega todo indignado com a própria condição, indigna-se ainda mais: porra, jornalismo já é uma bosta e agora ainda não precisa de certificado???
Baixa-lhe então o espírito Havaianas de Lázaro Ramos e a metralhadora, antes disparada contra o próprio peito, aponta para quem aceita engolir chumbo: e a ética? onde vão aprender a distinguir o que fazer ou não, o que publicar ou não, o que é ou não é notícia, o que é certo ou errado, enfim. E as redações? Os office boys vão assumir os computadores e apurar notícia? O motorista vai poder escrever texto? Eu, açougueiro, posso entregar meu currículo para o editor-chefe do seu jornal? Uso-lhe as páginas todos os dias para embrulhar aquele suculento pedaço de miolo de paleta e já tenho experiência.
Oh my God! E agora? Fedeu? Quem sou eu?
Desde que entrei na faculdade, a obrigatoriedade do diploma é discutida. Desde meu primeiro ano na saudosa UELON, professores esculacham e defendem a profissão. Para mim, o diploma ter caído assim assim mostra o quanto a classe é dividida. Se o diploma fosse tão importante para o jornalismo, jamais os jornalistas teriam deixado uma dezena de Ministros picotarem quatro anos de formação.
Fora que todo mundo adora cutucar jornalista. É a vingança que será maligna! Jornalista é chato e enche o saco de todo mundo: do time da série A3 do paulista aos mesmos homens de toga que jogaram o diploma na privada e puxaram a desgarga. Foi o troco. Cutucaram a onça com uma vara nem lá muito curta - e a onça não fez nada, a não ser murmurar.
E precisa realmente de diploma, o que é que você acha, perguntar-me-ia um colega de profissão, ao qual eu responderia: é preciso fazer artes cênicas para se tornar ator? É preciso fazer artes plásticas para se tornar artista? É preciso fazer administração de empresas para se tornar empresário? O Dunga comanda a Seleção e nunca foi técnico!!! Abaixo as instituições! Abaixo os puristas!
O diploma garante muito pouco. Para mim, ela garante apenas o foco na formação. Na faculdade, você vai aprender a ser jornalista. Contudo, aprender a é uma coisa. Ser de fato é completamente diferente. Da minha sala, a melhor aluna disparado se formou e decidiu que não era nada daquilo: e hoje estuda administração de empresas.
Para ser jornalista, você precisa trabalhar na redação de um jornal/revista/tv/rádio/site/assessoria de imprensa... Vige! Se bem que nos tempos de faculdade, quantas vezes eu presenciei gente discutindo se assessor de imprensa era mesmo jornalista... Mas, isto é melhor deixar prum outro dia.

domingo, junho 21, 2009

De noite

How da barca! Quem lá vem?
Sábado a noite, longe da namorada, longe de um tempo bom, TV no Nat Geo (que agora nóis é boy e tem Sky).
Tá passando um documentário em que eles esvaziaram o mar digitalmente. Deixaram tudo um desertão. Aí, fica um maluco explicando o que é isso, o que é aquilo... É um monte de areia, uia! Os seres humanos dão nome a tudo mesmo. Depois, eles mostraram como seria a ilha de Barbados vista do leito do oceano seco. Uma cadeia de montanhas - como poderia não ser?... Nada, a coisa é interessante, eu que tô ranzinza.
Agora o documentário acabou. Versão Marshmellow, São Paulo!
O que virá? Eu não sei, pouca diferença faz, pois tá no canal, mas eu não tô prestando muita atenção (pra tu ver como eu tô sem coisa boa pra escrever tómbém!).
Esta Sky é, na verdade, uma enganação. Mil programas, mil canais, mas só em um dia eu já flagrei Velozes e Furiosos passando em três deles ao mesmo tempo! Baguanqueliê!
E assim é: caminhando e cantando e seguindo a canção vamos todos assistindo ao trem passar, sem pular de estação, de olho meio baixo, mas insistindo para não dormir.

sexta-feira, junho 05, 2009

Reza

Os mais sagrados sábios
sentaram-se à minha frente,
olharam-me nos olhos
e, uníssono, disseram inclementes:
- Larga de ser besta!

Besta fera sou,
assim assumo, realmente.
E em frente aos mais sagrados sábios
saquei do coldre minha cartucheira.

Sete foram os disparos.
Sete foram os furos
no meio de sete testas.
Mas, os mais sagrados sábios
continuaram sentados.

Espantado
chorei, berrei, urrei por clemência.
- Piedade, disseram eles,
é nome de cidade do interior paulista.
Conte até dois,
pois antes do três,
você vai morrer.

Arregalei os olhos,
riram os sete.
Contei um,
contei dois
e antes de dizer três
minha mente foi pro espaço-além.

Lá do alto, lá de cima,
mirei a Terra e memorizei:
as cento e setenta e duas mil
setecentas e setenta e sete
esquinas por que passei.

Resta-me aprender agora
o quanto é fundo e bonito
o que vai do zero
ao topo do infinito.