sexta-feira, janeiro 27, 2006

Notas paulistanas 10 - O seguro morreu de velho

O seguro morreu de velho ou o Cúmulo da segurança, pelo menos para mim, que sou do interior.

A Banca Paulista V, aquela que fica em frente ao Itaú, tem cerca elétrica no teto!!!

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Nossa geração

Não li quase nada da maioria e, na verdade, conheço poucos. Descobri-os a pouco tempo, ano passado, quando fazia meu TCC. Mesmo assim, fico um pouco incomodado com a nova geração de escritores.

O maior problema, egoísticamente falando, é que eles são bons. Digo egoísticamente porque, se eles fossem ruins, nem prestaria atenção e me livraria disso. Alguns, até, acho muito bons.

O problema menor é que são todos uns porra-louca (ou, pelo menos, passam tal imagem). Assim, todos os ícones da porra-louquice estão em suas páginas: drogas de montão, fuck all nite long, pingaiada, alopração mental, rispidez no verbo, Charles Hunter Bukowski Thompson, submundo, submundo do submundo, agonia, arrogância, ansiedade, depressão e por aí vai.

O mal do século sempre vem com facilidade à imaginação na hora de escrever. O mundo não é uma beleza, a mente humana também não. Mas, por maiores que sejam essas forças e por mais forte que seja a vontade de se livrar delas jogando-as no papel, a literatura - e a vida - são mais que isso.

O caos e a esbórnia são interessantes. Alan Moore sempre foi um dos meus preferidos. Contudo, não é somente isso que deve ser escrito e vivido. Fazê-los vicia o ar, oprime os destinos, encurta a visão, aperta o coração. Ficar um contando um pro outro o quanto é desagradável ser o que se é só amplia o buraco de ambas as almas. É constatar: "ele sofre tanto quanto eu". Contentar-se e se animar com isso é sadomasoquismo. Porque, a questão que vale é: onde está a saída?

Quase ninguém sabe. É difícil encontrá-la. Mas, tem gente que sente prazer em perder-se no labirinto.

***
Sendo assim, vai um bônus pra alegrar a vida. Lembrando-se também que até o Alan Moore fez histórias do Superman... E das mais bobinhas.
OS JUSTOS*
Um homem que cultiva seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sur jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acaricia um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão salvando o mundo.
* poema de Jorge Luis Borges

Blog dos outros

Apesar da última atualização deste pessoal ter sido há quase um ano, os artigos são muito legais e não perderam o prazo de validade:

www.picardiasocialmundial.blogspot.com

terça-feira, janeiro 24, 2006

Conselho

Peço calma, meu camarada. Não adianta ficar nervoso. Por favor, sente-se aqui. O que lhe incomoda tanto? Oh, sim... A vida é desregulada mesmo. Não se irrite com ela. Afinal, ela é maior que nós. Mesmo juntos, todos do mundo, podemos pouco com ela. Mas este pouco já funciona. Isso que te atrapalha os ânimos vai passar, é só você querer e se concentrar. Não se importe com o que lhe fizeram, nem com o que você fez aos outros. "Não olheis os vossos pecados, mas a fé que anima vossa igreja". Não consegue? Oh, meu caro... É difícil equilibrar-se no meio do terremoto. Espera ele passar. Enquanto isso, procure abrigo e fique quietinho, guardando energias. Vai ser preciso, não se deve gastá-las de uma vez. Resolve-se aos poucos os problemas gigantescos. Na verdade, são eles união de outros pequenos, não é verdade? Então, vá com calma, um pedacinho de cada vez. Desistir é fácil, por isso, não se acovarde. Porque perseverar, também, não é tão difícil assim. Respire fundo, feche os olhos e vá por instinto. A vida, que tanto você xinga, desde o primeiro choro já nos deu tudo aquilo necessário para lutarmos contra ela. É o jeito de ela ser justa. Estranho, não? Mas, vai ser assim até o fim, até quando a morte chegar e nunca mais nos soltar de seu abraço. Se morrer é bom? Acho que sim, acho que sim... Mas viver é ainda melhor.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Dois em um num post piegas

Depois de encarar (leio devagar) por quatro meses Os Irmãos Karamazovi, resolvi pegar um que julgava seu oposto: Marcelo Rubens Paiva e o seu Feliz Ano Velho.

Ambos são clássicos, né, cada um do seu jeito. Dostoiévisky escreve com prisão de ventre: pesado, prolixo, tramas complexas, narrador maluco - ora em terceira, ora em primeira pessoa (e sempre onisciente!). Coisa de russo, vai saber. Marcelo é o inverso: meio relaxado, ligeiro, diz na lata, sem reticências.

O tema d' Os Irmãos é a luta do homem contra Deus, especificamente, contra o temor de Deus. O que é permitido e o que não é? Até que ponto somos donos de nossos atos? Quais as consequências da inconsequência etc. O tema do outro é a luta do homem contra ele mesmo. Marcelão deu um mergulho torto e quebrou a coluna. Foi culpa sua? Dava para evitar? Ou... Maktub e já era?

Lutando contra Deus ou contra si próprio, sempre trocamos alguns socos com o destino, também. O destino é Deus ou é o homem quem comanda seus passos? Dimitri Karamazovi se ferrou mesmo não sendo culpado. Marcelo poderia sim ter evitado, mas, isso é conclusão de alguém de fora. Não evitou porque, na verdade, nem passou pela sua cabeça que poderia dar zica.

É aí que o destino joga cruel. Quando não nos dá escolha. A estrada não bifurca e a gente continua reto. Só lá na frente percebe que está perdido. Mas, que jeito? Dava para parar, relaxar e analisar melhor?

Foi, já aconteceu. O destino apronta e depois nos devolve as rédeas. Como diria meu pai, solta o rojão para corrermos atrás da vareta.

Tanto Dimitri quanto Marcelo eram desregrados, movidos pelo estômago. Aprontavam pra caceta, faziam mesmo e que se dane. Encucavam pouco com seus atos. Então, aconteceu. Caíram pra valer, arrependeram-se. Contudo, seguiram em frente.

Marcelo, mesmo estropiado, consegue arrumar duas namoradas! Dimitri não desiste e planeja fugir com Grutchenka. A tristeza bate, mas não devasta. E a vida segue, do jeito que dá.

É assim. "Pois a natureza é isso, sem medo, nem dó, nem drama", como diz aquela música do Almir Sater. É a melhor forma de encararmos a vida: com naturalidade.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Machado de Assis

Dias atrás, li um artigo do Domingos Pellegrini na revista Rascunho espinafrando o Dom Casmurro.
Não lembro inteiro, era grande. O que me marcou foi que o Pellegrini disse não saber porque consideravam DC como a maior (ou uma das maiores) obras da literatura brasileira. Segundo ele, Bentinho é mau caráter, manipulador, não deve ser exemplo para ninguém - muito menos para os alunos colegiais, aos quais o livro é obrigatório por causa do vestibular. Tais estudantes, segundo o artigo, deveriam ler outros livros para sua melhor formação pessoal.
Entendo a preocupação do Domingos. Dom Casmurro não é um livro que impulsiona as pessoas a gozar a vida. Para o adolescente, cheio dela, talvez outros sejam melhores, realmente. Bentinho é mal, meio boboca e sem atitude. Capitu, mesmo que não tenha traído, é dissimulada e interesseira. Ambos passam toda existência juntos, amando e se odiando, enrolando-se em problemas pequenos, sem acharem a saída. É uma história chocha (é assim que se escreve?), sem muita aventura, com muita energia acumulada e pouco dissipada. Opressora e pouco digna de ser escrita.
Mas, porque o foi? Bom, penso eu que pelo seguinte. Machado estava velho, era o maior de todos, porém infeliz. Por qual razão, não sei ao certo. Dizem que ele passou a vida amargurado por não ter nascido um branco burguês... Não acredito muito, mas, sei lá, talvez no fundo tenha um pouco de sentido. O que vêm ao caso é que Machado estava cansado e triste - amargo, por consequência. E, oras, um homem nessas condições não pode escrever de outra forma.
No dia-a-dia, Machado não era mal. Pelo contrário, era um senhor pacato, ordeiro e prestativo. Contudo, de noite, quando se sentava defronte à escrivaninha, abria a mente para todos os anjos - e demônios. Era seu momento de piedade própria e de vingança aos outros. Coisa de todo homem. Se o endeusavam e se ainda o endeusam, não era culpa dele. Mais contam as cargas do cotidiano do que os minutinhos de glória.
Por isso, concordo com o Domingos: Dom Casmurro, o livro todo, não só o personagem, tem muito de seu autor. Porém, isso pouco vêm ao caso, afinal, todos os livros têm as marcas de seus autores impressas nas páginas. Machado tava mal e queria jogar para fora: então escreveu o livro do Bentinho.
Li Dom Casmurro quando tinha 15, 16 anos. Gostei pra caramba. Na adolescência, apesar de saber distingüir, a gente pensa pouco no que é certo ou errado. O que conta é a identificação. Se você simpatiza com o demônio, sei lá por qual motivo, a química tá feita. Eu simpatizei com o Bentinho, aliás, não só por ele, mas pelo livro em si. Gostei do jeito como foi escrito. Gostei dos capítulos iniciais, em que cada personagem é apresentado em cada capítulo. Adorei o "olhos de cigana, obliqua e dissimulada". Vibrei com o final irressoluto.
Porque nos dão Dom Casmurro para ler no 1º colegial é tão misterioso quanto entender porque gastamos tutano para aprender logarítimos ou os números complexos. A questão é que a escola, como todos sabemos, não é só lugar de estudo. É também lugar de aprender e aceitar certas regras. E obviamente, lugar de quebrá-las, também.
Para o Domingos, sei lá, talvez a subversão foi deixar o DC e tudo o que ele representa na sarjeta. Para mim, era desenhar na apostila durante as disciplinas de exatas. Para o João, era ler gibi do X-Men. Para o Quico, era mascar fumo e jogar truco escondido. Para a Jessica, era lixar as unhas. Para o Hugo, dormir as cinco aulas inteiras. Para os Fulanos, bagunçar as cinco aulas inteiras. Para o Washington, era estudar, estudar, estudar até saber mais que qualquer professor...
Quanto ao Machado, coitado, nem foi muito para a escola. Tinha que ser rebelde e chutar o balde de outro jeito: escrevendo.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Gentileza

Abriu o pacote e saiu perguntando:
- Servido, João?
- Não, brigado.
- Servido, José?
- Não, não, obrigado.
- Servido, Marcinho?
- Não, valeu.
Foi aí que o Pedro, abusado, soltou:
- Ê Maria, ninguém quer comer sua bolacha!
E o Alfredo concluiu, como se pensasse alto:
- Também, bolacha de água e sal... Coisa mais sem graça!

Se fosse outra, estrangularia, mas Maria caiu na gargalhada.

Notas paulistanas 9 - A pregüiça de certas pessoas

Tá certo. São Paulo não é uma cidade feita para pedestres. Mas, poxa, não precisa exagerar!
Várias e várias vezes já me deparei com a cena: a pessoa entra no ônibus, anda um ou dois quarteirões e desce!
Eu sei. Provavelmente o cidadão está fazendo a integração do bilhete único - por isso, não está pagando essa pequeníssima viagem. É possível também que seja culpa da pressa...
Mesmo assim, sei lá, vai andando. Vai que você chega. Gasta uns minutinhos a mais, não aproveita todo o bilhete - porém alivia as tensões, espairece a cabeça, faz bem para o coração e, até quem sabe, queima as gordurinhas.
Além disso, quem tem de viajar uma hora de busão todo dia agradecemos. Ficar parando de ponto em ponto não dá!

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Divagando e enrolando

Têm dias que a gente não tem nada melhor pra fazer então fica pensando nas coisas pequenas.
Sendo assim, acho que entendi por que o All Star é um tênis tão simpático: ele parece calçado de palhaço.
Por sua vez, o Nike Shocks é medito a besta porque parece um colchão de molas com design de carro de fórmula 1. O que rende uma péssima imagem surrealista.

Agora é hora de trabalhar, fui.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Apocalipse verde

Certeza que o repórter dessa notinha é corinthiano.

http://multimidia.terra.com.br/esportes/esportestv/interna/0,,OI64451-EI6181,00.html

Água

Chutou o balde uma, duas, três vezes, mas não o derrubou. Cansou-se, então, e foi dormir.
No outro dia, o balde ainda estava intacto no centro da sala. Desprezou-o. Foi trabalhar e não se incomodou.
Voltando para casa, lá estava o balde mais uma vez, intocado. Desviou com receio de tropeçar e foi para o chuveiro tomar banho.
A medida que molhava seu corpo e escoava para o ralo levando a sujeira, a água do banho arrastou consigo a outra, do balde - que foi secando, até evaporar por completo.
Sentiu-se aliviado. Enxugou-se, amarrou a toalha na cintura, foi para o meio da sala e meteu o chute. O balde saiu voando e explodiu, rachando a parede.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Bônus

Era um cara tão discreto que, quando morreu, ninguém ficou sabendo. Nem Deus.
Por isso, voltou a abrir os olhos, respirou profundo e levantou-se, para viver mais uma porção de anos.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

5 nomes de respeito

5º Max Cavalera
4º Otto Lara Resende
3º Tyler Durden
2º Jack Bauer
e o maior de todos, inigualável
1º Barry Windsor-Smith

terça-feira, janeiro 10, 2006

Boa notícia

Desde anteontem, o abismo está ficando cada vez mais raso.

domingo, janeiro 01, 2006

2006...



2006 chegou debaixo de chuva.
Chove até agora, choveu o dia inteiro.
Choverá toda semana - para limpar as desgraças de 2005?

Seria bom. Pena ser justo nos meus últimos sete dias de férias!
Pouco importa. Feliz ano novo!