sexta-feira, novembro 30, 2012

HQs de 2012: Tex Edição Histórica nº 75

Resenha minha para a sessão de reviews do Universo HQ.
Para conferir, é só clicar aqui.

quinta-feira, novembro 29, 2012

Namoro virtual


Achei perdida.
Deixei para ela:
maçã mordida
sobre o beiral
da janela.

segunda-feira, novembro 26, 2012

Hello, bola!

Sunday Night Football!
Formigas de cento
e trinta quilos
correndo atrás
de uma bola oval.

Bundas assadas
em calças apertadas.
Rostos atrás do xilindró.
Pescoços enterrados
em ombros elevados
feito os paletós
do Didi Mocó.

Paulo Antunes
detesta sopa de legumes,
mas adora a de letrinhas
made in USA:
tackle
fumble
scrimmage
turn over
touch down!

Meu cérebro não aguenta e apita
sem entender
por que a galera toda grita
quando é hora do comercial*.

Pegue a pipoca,
prepare a poltrona,
pois a história do jogo é longa.
Para, para e para
e quando você repara
lá se passaram três horas!

Joe Montana?
Seu sacana.
Dan Marino?
Faro fino.
Peyton Manning?
Jardas tremem.
Babe Ruth?
There’s no truth.
Este é do baseball!

Sinônimo americano:
guerra e espetáculo em união,
neste futebol insano
que se joga com a mão!

* Cheerleaders em campo, a Wikipedia avisa.

domingo, novembro 11, 2012

Caminhada


Praça da Bicicletinha. Ribeirão Preto, coração da zona Sul. Domingo, dez da manhã. Céu azul. Gente caminhando em sentido horário. Caldo de cana e água de coco gelada. Vizinhos param o exercício e se cumprimentam. Cães altos, médios e baixos arrastam os proprietários. Sedans importados estacionados entre dois ou três populares. Tendas coloridas dos grupos de corrida. Três aviões soltam fumaça pela cauda sobre nossas cabeças: publicidade de algo que não consigo enxergar. Sujeito ao meu lado passa fazendo dancinhas e passinhos ritmados que na verdade são exercícios. Gente que transforma VHS em DVD anunciando nos postes. Mamães deslumbrantes empurram carrinhos de bebê. Bolinhas de cocô aqui e ali. Skates de duas rodas que eu nunca havia visto. Flap-flap de tênis coloridos de seiscentos reais. Nenhum preto. Homens de 45 anos de peito depilado e short de cóton. Evento pet. Moça engolida por fantasia de cachorro tira a máscara e respira. Poodles, labradores e yorkshires latem por toda parte. Camisetas “eu amo meu vira-lata” à venda. Meninas de nariz arrebitado e seus óculos escuros. Wi-fi gratuito sobre o metro quadrado de cinco mil reais. Crianças brincam nas academias ao ar livre da terceira idade. Empresas aproveitam o movimento e entregam panfletos de publicidade. Transpiração sem cheio desagradável.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Mais leituras

Mágico Vento nº 100 | roteiro: Gianfranco Manfredi | arte: Goran Parlov


Tenho quatro ou cinco revistas de Mágico Vento. Nem sei em qual número está no momento. Este fumetti é um que eu me arrependo de não acompanhar. É muito bom. Sempre tramas elaboradas e com a verdadeira (até onde isto é possível) história do velho oeste americano como pano de fundo. Esta edição em especial é colorida, nº 100. Imagino que o estilo conservador da Bonelli Comics possa afugentar leitores mais novos. Quem resolver encarar, no entanto, certamente vai poder apreciar na maioria das vezes uma história de média qualidade para cima.

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil | Leandro Narloch


Livro que fez um bom sucesso quando foi lançado. Comprei no supermercado, para se ter ideia. Um livro que desmonta a História tal qual a aprendemos na escola não pode ser ruim, certo? O texto é bem Superinteressante, flui fácil, é bem-humorado e simples de tudo. Há boxes, ou sub, retrancas, como queira, parecidas com as de um jornal ou revista. A pesquisa é bem apurada e cada parágrafo do texto é repleto de referências. Credibilidade, precisão, leitura ágil, uma boa dose de provocação e pitadas de entretenimento. Tudo o que um texto jornalístico atual precisa para ser feliz! 

Contos Fantásticos | Guy de Maupassant


De início, não gostei. Contos pouco surpreendentes, finais repentinos, diálogos muito extensos. Não sei. Li os primeiros contos e não desceu bem. Depois, encontrei os pontos positivos. Todas os textos são histórias dentro de outras histórias. Alguns personagens estão reunidos e um puxa na memória algum fato sobrenatural que lhe ocorreu e aí tudo se desenvolve. Qual a vantagem disso? Sei lá também. Achei diferente este jeito de se contar uma história. Dá camadas diferentes ao texto. Tudo o que está narrado torna-se uma versão. A palavra do narrador fica sem aquele peso natural que atribuímos a ele.

Paraíso Líquido | Luiz Bras


Está entre os melhores do ano fácil. O livro chegou a mim direto do autor, que estava oferecendo a obra em seu site a quem mostrasse interesse. É ficção científica sem querer ser caxias ou presa a algumas paranoias de subestilos, que hoje parecem tão em voga. Não há a preocupação de ser steampunk, solarpunk, ciberpunk, space opera, entre outras variações que se transformam em bobagens quando levadas à risca. Ao invés disso, o Luiz Bras (que atende por Nelson de Oliveira se gritá-lo na rua) usou ficção científica para abordar temas mais objetivos, como o impacto da tecnologia no homem, realidades paralelas, budismo, limites da consciência e do tempo, Deus, vida, morte, caos, amizade, hierarquia, vontades e desejos, e por aí vai. É interessante também como o autor combina os termos. Em uma mesma frase com boa dose de palavreado científico, ele solta algo, sei lá, que os modernistas chamariam de "brasilidade". Mas, não fica bobo, pretensioso. Fica bem casado, dá uma ideia de expansão da possibilidade do que é falar, do que pode ser escrito, de como um único parágrafo pode abranger territórios tão diferentes. Algo que vai ao encontro da temática proposta pelo livro.

quinta-feira, novembro 01, 2012

Convite Angelus

Tem um meu neste. Tua Vontade.