terça-feira, janeiro 05, 2010

Silogismo 2 ou...

... CONTINUAÇÃO DA CONTINUAÇÃO DA CONTINUAÇÃO.

Amo ela
é cacofonia.
Cacofonia
é vício de linguagem.

Logo:
o amor é uma droga.

Continuação da continuação

Ganhei uma! Da minha namorada.
E por essas é por outras é que...

Eu amo ela!

Continuação do poema anterior

Mas, com que dinheiro???

Silogismo

Time is money.
But money
que é good
nóis num have.

Logo:
preciso comprar uma agenda.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Fundo do baú 14

NA NOITE QUE CAI

A noite cai calma e fresca
na cidade de Londrina.

Olho, aqui debaixo, a menina
do quinto fechar a cortina.

Foi-se. Eu também estou indo.
Para casa, para o quarto, para
o sono e a fuga.

Não há vontade. Não há força nenhuma.
É o estado de letargia.
É o processo auto-destrutivo.

Mas sou feito de aço.
Haha... Tenho um "S" estampado no peito.
Imortal, invencível.

- Que pena!

Queria ser de palha, para
queimar mais fácil.
Ser de areia, para
sumir com a maré.
De leite, para
chorar sobre meu próprio cadáver.

Fundo do baú 13

A ONDA

A onda bateu na cara do menino,
Que tombou, rolou e parou sentado.
A mãe, que como mãe tudo via,
Da praia partiu em disparada
E desesperada apanhou o filho.
O menino, da onda na cara e
Da corrida desengonçada da mãe, ria.
E antes que ela dissesse uma só palavra,
Ainda meio tonto, soltou:
- Só você mesmo mãe pra não
Perceber que é tudo brincadeira...
E continuou a rir e abraçou sua mãe.

Fundo do baú 12

CÁ EU ESTOU

Cá eu estou,
nove da noite,
no alto do edifício.
Venta, relampeja.
A moça do prédio em frente
deixa-me a suspirar e entra.
Vem agora seu marido,
gordo, sem camisa,
palitando os dentes.

Olho pra baixo,
passeia o porteiro.
Sinto vontade de cuspir,
saliva grossa, sabor sardinha,
estalando em sua cabeça.

Fecho a janela,
Vou-me deitar.
Sei que é cedo,
não tenho sono.
Acostumei-me, apenas,
a fazer e aceitar
o que não quero.

sábado, janeiro 02, 2010

Encerramento

Um dia, Manuel Marival Menezes, famoso MMM, decidiu que era hora de partir. Então, fez as malas, colocou um bom sapato e pegou a estrada. Andou até um ponto de ônibus, fez sinal e embarcou no primeiro que passou. Sequer viu para onde ia.
Duas horas depois, desceu numa rodoviária esquisita. Sentou-se em um banco largo, tirou um sanduíche do bolso e mordeu com gosto. Mastigou repetidas vezes e deu um pequeno arroto. Ficou satisfeito.
Estava de relógio, mas não olhou as horas. Estava com calor, mas não tirou a blusa. Estava desempregado, mas tinha todas as economias do porquinho consigo. Assim, sem desejar mais nada da vida, deitou-se de barriga para cima e morreu exatos 32 segundos depois.