segunda-feira, agosto 17, 2026

Chuva bumerangue

Cai chuva quando Deus quer lavar
uma alma do desamor.
O sujeito, sozinho, ou entre a multidão,
ou com a amante na cama,
ou na missa, ou num enterro,
ou nos olhos de um cão,
de repente aceita que o que ele deu
não volta.

Então, cai o mundo como água.
É tanta água que o próprio Deus
quase tomba de lá de cima.

Veja quão forte são as chuvas
nesta era da desilusão.
E vão as enxurradas, estragando os asfaltos,
afogando os mendigos,
destruindo sonhos acordados
de gente que entregou a vida
para empilhar tijolos e equilibrar concretos.
TUDO por causa do amor
que não funciona como bumerangue.

Mas a chuva não falha:
se o sentimento não sobe
ela abaixa na mesma desmedida.

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