segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Da rua 3

Fim de expediente, vou tranquilo pela calçada a caminho do carro e de casa. Poucos metros à frente, noto um cara com camisa desgrenhada, bolsa cheia de garrafas d'água a tiracolo, boné torto sobre o cabelo bagunçado - e uma folha de sulfite amassada na mão direita. Chuvisca, estamos todos debaixo de guarda-chuvas.

De encontro, vêm um senhor e uma senhora. Ao passar por ambos, o sujeito estica o papel e prega:
- O fim está próximo. O fim está próximo.

Espanto. Retardo o passo. O homem continua.
- Pelos pecados que cometeu na vida, Hebe Camargo agora arde no fogo eterno.

Dobro a esquina, o profeta desce a rua. Em frente a uma oficina mecânica, ele aborda outro grupo com seu discurso apocalíptico. 

Não é uma gracinha?

terça-feira, fevereiro 03, 2015

Da rua 2

Na banca de revistas.
O dono, careca, argumenta com o freguês, cabeludo.
- Pode reparar. A falta de pelo é um sinal de evolução da espécie. Cada dia o homem precisa de menos. Vai chegar o dia em que ninguém mais vai ter!
Só não entendi porque ele, o dono, apesar de toda defesa, tava deixando a barba crescer.