quarta-feira, setembro 12, 2012

HQs de 2012: Detective Comics 1 a 12 | Tony S. Daniel (roteiros e desenhos)

Coringa virando os olhinhos e o Batman atrás, risonho...

Não é ruim. Mas, não empolga. Como o próprio nome da revista diz, é o Batman em meio a uns casos investigativos e detetivescos. Os vilões são fracos e você sabe que não vão trazer problema para o Homem-Morcego (pelo menos não pra este dos quadrinhos, que não é bundão; se fosse o dos filmes eu já não iria garantir...)
Aqui, aliás, tem algo que rolou no filme que eu nunca acho que casa bem com o personagem. Tá lá o Bruce Wayne/Batman com uma namorada, que o faz mais ou menos cair de paraquedas em uma série de perigos, porque a irmã dela é na verdade uma vilã internacional que consegue manipular o Pinguim (se entendi bem).
Também, lá pelo nº 6, há uma história protagonizada pelo Duas Caras na qual ele recorre a um monge, que (de novo, se entendi bem) tenta fazer o mega-vilão a reencontrar-se e abandonar a personalidade dividida. Tem uns manos no meio, uns bares obscuros e por aí vai...
A parte mais bacana das 12 revistas tá fim da primeira: a já famosa página inteira com a pele do rosto do Coringa pregada na parede. Neste primeiro número, o vilão pediu ajuda de um outro vilão para mudar de face – sem anestesia. Na atual fase na revista Batman, sob comando de um roteirista mais talentoso (Scott Snyder), o Palhaço do Crime vai voltar, ao que promete a editora, muito mais terrível e assustador. Deve ficar mais parecido com a última versão do cinema.
Os desenhos de Tony S. Daniel são bem legais, agradáveis, carregados na medida certa, apesar de uma cena ou outra ter um ar antiquado (não sei se o traço ou a diagramação). Já os roteiros do artista são um tanto confusos, com a inserção de muitos personagens em tramas pequenas, cheias de reviravoltas e subtramas, mas pouco impactantes.
É esperar para ver o que rola neste segundo ano da revista mais antiga do Morcegones.

domingo, setembro 09, 2012

Põe na tela, Latino! - Parte 2


     - Vamos embora? – perguntou Guto a Dona Carmem, a senhora que o agarrara à força.
     Eram cinco horas da manhã e ele já se questionava se aquilo tudo estava valendo a pena. Suas pernas formigavam de tanta dor e ele sentia duas ou três bolhas na sola dos pés. Se esta velha não aceitar minha carona, sou capaz de acabar com ela aqui mesmo, pensou.
     - Claro! – respondeu ela, evitando o pior.
     Os dois eram os últimos a deixar a festa, esforço calculado por Guto para que ninguém se prestasse a testemunha.
     O rapaz não pode deixar de se sentir nervoso ao ver a velhota entrar em seu carro. Estava tudo dando certo! Agora, não podia mais voltar para trás.
     Dona Carmem informou que morava numa ruela estreita da Vila Marcondes. Não era longe dali, dez minutos naquele horário. Enquanto fazia o retorno e pegava de volta a Manoel Goulart, Guto calculou qual seria o melhor local para atacar a mulher: logo ao fim da avenida, assim que cruzassem o pontilhão da linha do trem, escolheria uma ruazinha mal iluminada e... já era!
     Até lá, puxou conversa.
     - É viúva há muito tempo, Dona Carmem?
     - Nunca me casei.
     - Tem filhos?
     - Nenhum.
     - Nenhum parente?
     - Já enterrei todos, meu filho. Moro sozinha. Não tem perigo de você encontrar ninguém – respondeu ela, colocando a mãos sobre a coxa de Guto e lhe mostrando a dentadura, em um sorriso largo.
     O candidato a assassino engoliu seco. De fato, a velha estava querendo... Que maluca! Respirou fundo. Não podia perder o foco e sair correndo. Era ele a ameaça e não ela! Voltou a raciocinar e considerou: era ótimo ela ser sozinha. Sem ninguém para sentir falta ou reclamar o corpo.
     - O que viu em mim, bonitão? – quis saber Dona Carmem.
     Guto tentou, mas não soube segurar a risada. Ela insinuou uma cara de ofendida, porém o rapaz soube contornar a tempo.
     - Você é uma mulher bonita e me fez companhia a noite toda, o que mais um cara como eu pode querer?
     A senhora derreteu-se toda e subiu a mão, tocando a virilha de Guto – e tudo o mais naquela região. Surpreendido, ele enfiou o pé no freio e parou o carro no meio da avenida deserta.
     - O que você tá fazendo??? – gritou ele, tirando com violência a mão da mulher.
     - Cala a boca e me beija – ordenou ela, sacando um 38 de dentro da bolsa e encostando o cano na têmpora do garotão.
     Acuado e tremendo mais que um Motorola no vibracall, Guto sentiu passivamente a língua de Dona Carmem entrar em sua boca e tocar a sua, com intensidade. Insatisfeita, ela montou em seu colo e começou a lambê-lo por inteiro, chupando-lhe o pescoço e desabotoando com a mão desocupada a calça jeans do rapaz.
     Cheia de desejo, enfim, a velha meteu a mão dentro da cueca de Guto. Contudo, por mais que quisesse e fizesse, não conseguiu deixar o sujeito em pé. Nem o Capitão Nascimento conseguiria ter uma ereção com um revólver apontado para a cabeça.
     Dona Carmem não considerou este porém. Diante do insucesso, fitou os olhos de Guto e disse.
     - Xiii... Você não presta pra nada!
     BUM!
     Bem no meio da testa do rapaz.
       Ela abriu a porta do Golf, empurrou o cadáver para fora e arrancou, cantando os pneus.

Chew 01 - John Layman e Rob Guillory



Um detetive que é capaz de rastrear psicologicamente a origem e todo processo dos alimentos que come.
Se entendi bem, é mais ou menos isso.
Assim, se por um lado, todo tipo de alimento - exceto beterrabas - lhe é nojento a ponto de ser intragável, por outro, o "talento" possibilita que ele faça descobertas além da imaginação - e muito úteis à profissão.
O roteiro, pelo menos neste primeiro número, é bem textual, cheio de balões com muitas linhas, o que acaba deixando a leitura amarrada. 
Os desenhos são bacanas, bem cartunescos, apesar de meio duros e pobres em detalhes. Mas, não chegam a ser um problema. Pelo contrário. Dão um ar inocente a uma trama que, do meio para frente, se torna beeeeeeem grotesca!

Mediana. Talvez um pouco de mal gosto. Ou só eu que estou ficando velho e sem muita paciência pra estas coisas um tanto quanto gratuitamente chocantes.