domingo, fevereiro 26, 2012

HQs de 2012: Holy Terror | Frank Miller



Se você hoje em dia levar Frank Miller a sério, vai passar raiva toda vez que ler uma HQ do cara. Reconhecido e admirado por obras fundamentais do gênero super-herói, como O Cavaleiro das Trevas, Batman Ano Um, A Queda de Murdock, Elecktra Assassina, sem falar em HQs de outros gêneros, como 300 de Esparta e Sin City, desde O Cavaleiro das Trevas 2, o velho Frank deixou de ser um autor que leva a si próprio – e a indústria dos quadrinhos - a sério. Faça o mesmo.
Se DK2 foi uma espécie de sátira da primeira HQ, Holy Terror é Sin City mesclada com Batman, pontuada de ideias malucas e um tanto desconexas, somadas ao bem conhecido estilo Dirty Harry do autor.
Você pega Holy Terror nas mãos e só começa a folhear se não se importar nada com o fato do tal Fixer ser idêntico ao Batman, Mulher-Gato ser chamada de Cat Burglar, entre outras personagens xerocópias que aparecem ao longo da história. Se o leitor for incapaz desta abstração, vai sentir tédio a cada quadrinho e xingar Frank Miller de, no mínimo, cara de pau.
“Se você encontrar o infiel, mate o infiel”, frase atribuída a Maomé com a qual o quadrinhista abre o álbum. Ela representa bem o que Miller quer fazer com os terroristas muçulmanos, vilões da história e, por isso, citá-la é uma boa sacada irônica. Porém, também é um tiro pela culatra. O fã mais raivoso pode ler a frase ao pé da letra e responder: “Tudo bem, Miller. Estou indo atrás de você com uma 12 na mão! Maldito infiel à própria história!”
É por isso que não se pode levar Frank Miller a sério hoje em dia. Você passa muito ódio. Assim, por favor, leia na brincadeira e aproveite Holy Terror. Não é de todo má. É desconexa, cheia de texto, poucos quadrinhos por página, um tanto preguiçosa, mas, tem seu valor.
É uma tosqueira de luxo. Exatamente o que o autor é hoje em dia. 

HQs de 2012: Aquaman nº 1 a 4 | Geoff Johns e Ivan Reis




Acompanho 25 das 52 novas HQs da DC Comics e Aquaman foi a primeira a encerrar um arco de histórias. Não conheço muito do personagem a não ser a versão daquele antigo desenho da Liga da Justiça dos anos 80. Livre, portanto, para achar tudo uma porcaria ou bem legal.
Fiquei com a segunda impressão.
Bom, talvez ainda não seja BEM legal. Mas, é uma HQ bacana. Daquelas que prometem. Neste primeiro arco, seres das profundezas de aparência monstruosa surgem de repente à superfície em busca de comida – seres humanos, no caso.
Aquaman corre atrás para resolver o problema, porém, sofre um dilema. Quem são aqueles seres que sequer ele conhece? De onde vieram? São inteligentes, organizados socialmente ou irracionais e selvagens?
No meio de tudo isso, o roteiro de Geoff Johns faz questão de mostrar que os humanos não botam muita fé no super-herói. Várias vezes na história, ele é motivo de piada, de depreciação e sai nervosinho, com aquele sentimento de que ninguém o compreende. Por isso, de certa forma o leitor chega a pensar: Aquaman está se identificando com os seres das profundezas?
Outro atrativo da HQ é a arte, toda feita por uma equipe de brasileiros: Ivan Reis nos desenhos, Joe Prado na arte-final e Rod Reis nas cores.
O próximo arco vai abordar o fim de Atlântida, terra da mãe de Aquaman e que ele resolveu abandonar para viver na costa, de onde veio seu pai. A história já está rolando, mas vamos dar um tempo para ler outros assuntos. :)

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

HQs de 2012: The Adventures of Bernard, The World Destroyer | Skottie Young



Até onde entendi, o quadrinhista e ilustrador Skottie Young resolveu fazer um desenho por dia, para treinar o traço e os publicava em seu blog. Aos poucos, surgiram algumas piadas, cenas inusitadas, um protagonista alien – e uma história foi se amarrando... Despretensiosamente pra caramba.
São 24 páginas duplas, cada uma com uma só ilustração, que compõe uma cena completa. A seguinte amarra-se ou não à anterior e desta forma o livrinho vai se desenvolvendo. Algumas sacadas são bacanas, outras sem graça, a maioria mediana. Todas criticam aspectos do mundo moderno, em especial da moda, comportamento e do mundo das celebridades. O vilão da história, partindo desta premissa, foi muito bem escolhido!
Vale por curiosidade, para conferir o experimento – aliás, bastante comum entre desenhistas (esta ideia de uma ilustração por dia). Bernard e sua nave são carismáticos e o traço de Young é muito agradável. Ao final do livro, há uma coletânea de versões do personagem, feitas por diferentes artistas, entre eles o brasileiro Rafael Albuquerque.
Aqui, o site do autor.