Em um futuro próximo, os humanos partem para o espaço em busca de vida inteligente. Graças à tecnologia das viagens transponenciais e da física buzzardiana (um passo à frente às teorias de Einstein) é possível realizar longas jornadas em curto tempo. Vários planetas com vida animal foram descobertos. Contudo, pela primeira vez os humanos defrontavam-se com possíveis seres dotados de inteligência – ainda que absurdamente diferentes de nós.
Esta é a premissa de Os Negros Anos-Luz, livro de 1964, o oitavo do escritor britânico Brian Aldiss, segundo me informa a Wikipedia. Ficção científica de primeira qualidade, mais preocupada em analisar as questões filosóficas, éticas e comportamentais envolvidas nas descobertas do futuro, do que as descobertas em si.
É um romance cheio de sutilezas, daqueles que dá vontade de ler uma segunda ou terceira vez. A leitura, aliás, é curta e fácil, mesmo que repleta de neologismos – característica comum a toda FC que preste. A narrativa é composta em sua maioria por uma série de diálogos entre os vários personagens relacionados à descoberta dos alienígenas. Muitos os julgam como meros animais inferiores, poucos os consideram uma forma de vida inteligente.
O forte da obra é a montagem do imenso cenário deste futuro próximo a partir da visão de alguns poucos indivíduos. O narrador aparece boa parte das vezes apenas para situar o leitor sobre determinado contexto. Assim, ficamos sabendo paulatinamente que a Inglaterra está em guerra com o Brasil (!), batalha disputada em outro planeta descoberto além de Plutão e permeada por uma série de regras, quase um xadrez. Também conhecemos as diferentes camadas da sociedade londrina, o Gueto Alegre (reduto dos párias), a preferência massiva por comida artificial, a moda, as tendências artísticas, as descobertas científicas, os avanços tecnológicos – e como tudo isso ainda pouco modificou o espírito humano, o que faz a experiência do livro ser um tanto triste.
Cada um destes detalhes está inserido dentro daquilo que vai vivendo cada personagem ao longo da trama. Assim, nada aparece de maneira gratuita, defeito bastante comum na ficção científica de pouca qualidade.
Para mim, o livro foi uma total surpresa, uma vez que eu nunca tinha ouvido falar do autor. Encontrei a obra em um blog que já não existe mais, e a escolhi por simpatizar muito com a capa e com o título sensacional! Vocês também já se decidiram por um livro desta maneira?
Aqui está uma outra resenha da obra.
E no Bule, um conto do Roberto de Sousa Causo inspirado no livro.

1 comentários:
muito bom o blog...li o do Batman e esse aqui, justamente porque tenho o livro...parabéns!
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