Livro curtinho, permeado de ilustrações, anúncios saudosistas de cursos à distância, tirinhas do Tex - e bastante espaço em branco nas páginas. Palavreado solto, sem vergonha de palavrões. A narrativa fragmentada, com saltos entre um capítulo e outro, a serem preenchidos pelo leitor. Além disso, muita referência a cantores bregas, à cidade de São Luís (MA), à música sertaneja - e, principalmente, à cornidão.
A trama é interessante e psicodélica. Uma dupla sertaneja – Adailton e Adhayton – está em baixa. Então, Adailton decide simular a morte do parceiro em um acidente de carro. Porém, Adhayton retorna depois de cinco anos, como um travesti performático.
Diferente de O Código da Vinci, há poucas reviravoltas na história. Quase nenhuma. Claro, anos-luz separam a proposta de uma obra da outra. Porém, mais uma vez está lá: um crime, a mocinha, o detetive, etc.
A aventura em si não é tão cativante. O jeito como as partes são amarradas é o principal atrativo. Cada trecho funciona como um retalho que o autor costura no outro, e no outro, e no outro, até resultar em uma novela. A fórmula, eu sei, não é nem um pouco inédita, mas o resultado é agradável.
Os anúncios e tirinhas do Tex não são fundamentais para o entendimento da história. No entanto, colaboram com o clima escrachado e multirreferencial do livro. Antes de ler, ao folhear as páginas, pensei que eles ficariam descoladas, que eram mero capricho. Não, eles funcionam, justamente pelo fato de o livro ter esta “pegada” informal.
Algumas frases de efeito são bacanas – “o mundo é um bicho teórico” – e o humor predomina até nas cenas trágicas. Não é, porém, aquele humor de gargalhadas. E sim de risadinha sacana no canto da boca.
No entanto, alguns trechos são tão fragmentados que fica difícil o entendimento. Além disso, creio que se não fosse o prefácio, do Reuben da Cunha Rocha, eu iria demorar muito para sacar o que se passava na trama – e teria desistido do livro.
Quem comprar a obra direto com o autor, o Bruno Azevêdo, como eu fiz, tem direito a um autógrafo e a ganhar um aviãozinho de brinquedo. É só falar com ele.
Quem quiser ler Breganejo Blues online, é só baixar na Mojo Books.
Uma resenha bacana do Marcus Ramone está no Universo HQ.
Tenho o outro livro do Bruno, O Monstro Souza, mas este fica mais para frente.

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