terça-feira, julho 26, 2011

Release Moedas para o Barqueiro II

Galera, olha aí o release do livro da Andross Editora que eu vou participar:

EDITORA LANÇA LIVRO COM HISTÓRIAS SOBRE A MORTE
Livro de contos sobre a morte, escrito por autores em início de carreira,
será lançado em agosto

"A beleza e a tristeza da morte estão presentes nas páginas deste livro, não só do ponto de vista de quem embarcou para outras terras, mas também de quem ficou", diz a escritora Cristiana Gimenes, organizadora do livro Moedas para o Barqueiro - Volume II. "Eu diria que o envolvimento e a reflexão sobre o assunto são recomendáveis, afinal, a morte não só faz parte da vida, como, numa certa medida, dá sentido a ela", completa. Gimenes analisou mais de cem contos para chegar nos 67 textos que compõem o livro, que será lançado no próximo dia 06 de agosto, quando a Andross Editora completará sete anos.

A casa editorial é especializada na publicação de coletâneas de novos escritores. Surgiu em 2004, dentro dos corredores da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, como uma necessidade de publicar textos dos alunos do curso de Letras. A experiência deu tão certo que logo atravessou os muros da instituição e passou a publicar textos de outros escritores que não acadêmicos da universidade. De lá para cá, publicou sessenta livros, com mais de mil autores de todos os estados brasileiros e de vários países de todos os continentes. 

Além do Moedas para o Barqueiro - Volume II, outros quatro livros serão lançados no evento. São eles:

·                    Próxima Estação - Contos de trem, metrô e outros transportes urbanos.
·                    Universo Paulistano - Contos de uma cidade que nunca dorme - Vol. III
·                    Elas Escrevem - Contos e Crônicas - Volume II
·                    Histórias Envenenadas - Contos de Fadas de Terror

No evento, o público poderá adquirir outros títulos da editora ao preço promocional de aniversário de R$ 4,90.

SERVIÇO
Lançamento do livro Moedas para o Barqueiro - Volume II  e aniversário da Andross Editora (Entrada grátis)
Data: 06/08/2011, das 15h às 20h
Local: China Trade Center- Rua Pamplona, 518, São Paulo, SP (Próximo à estação Trianon Masp do metrô)

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA:
Cesar Mancini
(11) 6731-6191
(11) 8217-6191
cesar@andross.com.br 

sexta-feira, julho 22, 2011

Lançamento de livro!

Pessoal, olha que bacana isso daqui:



Pois é!
Sou um dos autores da coletânea Moedas para o Barqueiro - Volume II, com contos específicos sobre a morte.
O meu conta a história de um soldado que fugia de tiros, pisou em uma mina e teve de encarar a dita cuja de frente... rs
Infelizmente não vou poder estar no lançamento. Mas, se você estiver em São Paulo no dia 6 de agosto, por favor, faça uma visita aos autores. Outros livros da Andross Editora também serão lançados no mesmo evento.
Mais para frente irei vender alguns exemplares. Caso alguém já esteja interessado é só mandar um email para lucaslofer@yahoo.com.br.

Obrigado e até mais!

quarta-feira, julho 20, 2011

Alfa e Ômega - Parte 4 (Final)

Na imensidão da batalha que se desenrolava em minha frente, vi São Jorge cortar de uma só vez as cabeças de 34 demônios arruaceiros. De cada uma delas outros 34 surgiram e novamente a cabeça de cada um deles foi arrancada. A cada golpe do santo, o processo repetia-se, até o momento em que Jorge entendeu que um deles eram todos eles, não cortou mais nenhum e venceu.
Também vi Mammon roubar para si os olhos da tigela de Santa Luzia, enquanto diabos traiçoeiros espancavam-na até o esgotamento. Vi São Sebastião retirar as setas do próprio corpo e espetá-las nas narinas do avarento até que ele devolvesse as duas relíquias.
Santa Clara abriu o céu para que os anjos pudessem lutar na luminescência. Eu vi Caliel sair detrás das nuvens e perfurar com sua lança o coração maligno de Moloch, que tombou sobre seus comandados. Demônios covardes bateram em retirada, abrindo um vão no alinhamento do exército infernal. Um a um, os desgarrados foram caçados por Uriel, Zacariel e Orifiel, que lhes arrancaram os chifres e ostentaram-nos à turba do Paraíso.
Já Yesalel não teve a mesma sorte. Cercado pelas almas atormentadas dos mais terríveis bandidos, vi quando ele foi derrubado, imobilizado e depenado. Suas asas, depois, foram quebradas a golpes de alicate. Sem poder voar e fugir, hordas de vampiros avançaram e banquetearam-se com seu sangue de extrema pureza.
São Fernando e São Romão horrorizaram-se com a cena e partiram para o ataque, mas foram aleijados a um só golpe do tridente de Baphomet. Harahel, Ieialel, e o sábio Ayel afundaram ao mesmo tempo as espadas na carne espessa do demônio, que tombou emborcado. Os três, porém, foram reduzidos a cinzas quando Furfur proclamou a magia do fogo e uma rajada incandescente atingiu-lhes a face.
E um a um eu vi anjos e demônios, santos e dementes, deuses e monstros caírem uns sobre os outros.
Vi Jeliel ter a espinha quebrada pelas mãos fumegantes de Ukobach. Vi Santa Filomena ser perseguida, capturada, morta e triturada em pedaços pela Legião. Vi São Severiano cair no abraço sensual de Astaroth e morrer implodido pela própria lascívia. Vi Menadel ser partido ao meio pelo serrote de Malphas e Melek Taus.
Vi os pombos de São Francisco terem as cabeças arrancadas pelo dentes de Izmaichia. Vi São Pedro novamente ser dependurado de ponta cabeça e açoitado até o fim por Abigar e os outros dois demônios de Fleuretty. Vi São Jorge ser esquartejado pelo dragão que a vida toda perseguiu. Vi Gabriel caminhar sem rumo com os intestinos à mostra, expostos depois de mordida de Zaebos.
E todos os bons caíram.
Também vi Asmodeus ter seu órgão proeminente queimado pela cruz de Santo André. Vi o grande general Satanáquia ser encurralado por Ariel, Umabel, Poiel e São Longuinho e morrer trespassado pelas estacas do quarteto. Vi Leviathan ser amarrado e perecer com o calor do próprio ódio, despertado pelas preces de Santa Elvira.
Vi Yemaye ter a cabeça arrancada pelo escudo de São Miguel Arcanjo. Vi Efialtes cair morto esfolado depois de ser arrastado pelo cavalo de Santa Joana D’Arc. Vi o grão-duque Valafar fugir de medo do olhar sereno de Santa Catarina. Vi sete mil pelotões do Inferno evaporarem instantaneamente após um único gesto da mão direita da Virgem Mãe Superiora.
E todos os maus caíram.
Em meio a devastação dos corpos de toda existência, apenas dois resistiram. O Messias e a Estrela da Manhã, parados frente ao outro.
Sem dizerem nada, ambos sacaram as espadas e atacaram ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo, a lâmina perfurou a carne de cada um, esguichando sangue. No chão, o líquido vermelho dos inimigos misturou-se e escorreu pelas frestas.
O Cristo caiu. Lúcifer continuou de pé.
Impressionado com a vitória, o anjo decaído urrou satisfeito. O som maligno ecoou nos quatro cantos do mundo, mas ninguém ouviu.
Apenas eu.
Deixei as sombras onde me instalara e me aproximei sorrateiramente pelas costas do demônio. No momento apropriado, saquei meu punhal afiado e tive prazer ao vê-lo penetrar as costelas de Satã - e atingi-lo no coração.
Seu grito de satisfação transformou-se em lamurio de morte. Demente e consternado, Lúcifer debateu-se e tentou se virar para conhecer a face daquele que o assassinara, mas não conseguiu. Apoiado nos joelhos com minha arma espetada nas costas, antes de tombar completamente, ele olhou pela última vez a imensidão do Céu, para onde nunca mais voltaria.
O silêncio que se seguiu era a voz, enfim, do sossego da Terra. Não mais dor, não mais sofrimento. Não mais os opostos. Olhei ao redor e não vi ninguém. Nada se movia. Nem mesmo a menor das bactérias queimava energia.
A paz tomou conta de tudo.
E tudo agora era meu.
Apenas meu.

terça-feira, julho 19, 2011

Alfa e Ômega - Parte 3

Quando a Estrela da Manhã iluminou o céu, cidades imensas já haviam apodrecido, cobertas de peste, lama e sangue dos abatidos. Países cujas lendas eram tão antigas quanto os próprios seres que se debatiam nos ares tombaram como bebês que mal articulam as pernas. Povos exploradores de outros povos desapareceram em um único olhar satânico.
Vi famílias retiradas à força de suas casas serem chicoteadas até a morte para que seus lamentos reforçassem a energia das tropas infernais. Vi homens que já foram de bem matarem mulheres e crianças por causa de um pedaço de pão. Vi garotos esquálidos assassinarem aos murros uns aos outros por uma tigela de arroz azedo.
Toda sorte de loucos, dementes, psicopatas e deturpados ganhou as ruas e atirou-se sobre as multidões de desesperados. Mulheres foram estupradas por grupos de cinquenta homens, cuja sanidade havia sido varrida pelos desejos. Pais copulavam com os próprios filhos, instilados por serpentes de fogo hábeis na arte do convencimento.
Florestas cujas sombras abrigavam quatrilhões de seres estorricaram quando o suor dos demônios alados tocou as folhagens. Animais sequer catalogados pela espécie humana fritaram e morreram aos berros. Os fugitivos eram capturados e servidos de alimento aos famintos, que mastigavam a carne crua, antes mesmo de o bicho morrer por completo.
Nem mesmo os vermes e larvas responsáveis por limpar a terra dos excrementos sobreviveram na segurança do lodo e das dobras do solo. A desgraça os encontrou e exterminou a todos, restando aos cadáveres o eterno relento.
Rios caudalosos pouco a pouco tiveram o fluxo interrompido por corpos acumulados uns sobre os outros, do leito à superfície. Peixes e outros dependentes do meio líquido morreram asfixiados, por falta de oxigênio.
Nos desertos, a multiplicação de todos os grãos de areia uns pelos outros se tornou inferior à quantidade de anjos e demônios para sempre caídos. As calotas polares derreteram-se com o calor provocado pela nova movimentação de seres no mundo, inundando praias dos sete mares e afundando os mais importantes centros de civilização.
Dentro da esfera terrestre, os átomos dos 118 elementos sentiram as leis quânticas que regiam seus alinhamentos se romperem. Onde havia fogo, surgiu água. Onde havia água, brotou o vento. Onde havia vento, cresceu a terra.
E do caos da destruição, um novo universo se formava.

quinta-feira, julho 14, 2011

Alfa e Ômega - Parte 2

Assim que o raio divino estourou a crosta terrestre e penetrou por entre as diferentes camadas de rochas e sedimentos até sair do outro lado, em meio às chamas do Inferno, Lúcifer sorriu. Já era hora de a Estrela da Manhã voltar à superfície e brilhar novamente nos céus.
Das galerias, o som dos tambores e atabaques começaram a ribombar, marcando o ritmo dos preparativos. Um trilhão vezes um trilhão de almas atormentadas gritaram a dor de estarem em meio a tanta gente e ao mesmo tempo sozinhos. A balbúrdia infernal precisa de sofrimento como combustível.
Demônios da pele rubra afiavam nos próprios dentes as lanças da batalha. Monstros desfigurados pelo pecado cheiravam a excitação no ar e expunham uns aos outros suas vergonhas intumescidas. No grande salão, capetas do chifre pequeno e sorriso largo açoitavam espíritos perdidos, que em vida traíram, trapacearam, enganaram, usurparam, ou pegaram escondido.
Reunida em torno do altar de sacrifício, a alta cúpula do Inferno traçou o plano de destruição do mundo e retomada do Paraíso. Azazel foi o primeiro a ascender pela abertura, arrastando consigo um pelotão formado por almas de torturadores e assassinos.
Ao ver o primeiro bando sacudir as asas pontiagudas rumo à superfície, todo amontoado de moradores do submundo inflamou o peito e gritou injúrias ao Céu.
Em meio às ofensas à divindade, tridentes e tochas acesas foram levantados acima das cabeças. Demônios de chifres enormes e pontiagudos vomitaram sangue e espalharam a substância um no outro. Bruxas decrépitas quebravam os próprios ossos e os entregavam como armas às almas penadas. Vampiros dementes mordiam uns aos outros, com fome.
Os portões das catacumbas se abriram e libertaram as treze bestas cegas, aprisionadas nas trevas desde o Princípio. Descontroladas e aos berros de dor, carregavam consigo o que quer que lhes tomasse o caminho, até subirem pela abertura.
Então, dos quatro cantos do Inferno, os seres rebaixados abriram asas e rumaram ao mesmo tempo para a superfície. Os que não podiam voar eram carregados. A passagem ficou pequena para a quantidade de infelizes, que se espremiam uns aos outros até os sedimentos rochosos cederem e o vão alargar-se.
Os mais violentos terremotos rasgaram os cinco continentes. Explosões de lava e enxofre emergiram, abrindo todas as portas da devassidão. Expelidos em alta pressão, demônios, capetas, espíritos, monstros e entidades de todos os círculos infernais enfim retornavam à crosta da terra.
Peste, Guerra, Fome e Morte foram autorizadas a montarem seus cavalos multicoloridos e partiram. Leviathan, Belzebu, Asmodeus, Belphegor e Mammon, cada um carregando no estômago cheio seu próprio pecado, também rumaram para cima.
Na imensidão do Inferno vazio, como nunca antes presenciara, Lúcifer sentiu-se livre. Não gostaria de ver novamente aquele lugar. Então, vestiu seu elmo amassado na cabeça, abriu as asas maltratadas e levantou voo. Estava confiante para retomar o que pensava ser seu - por direito.

terça-feira, julho 12, 2011

Alfa e Ômega - Parte 1

Quando o toque uníssono das sete trombetas ressoou nos limites da abóbada terrestre, quebrando o silêncio da noite sem lua e sem estrelas, deixei o pântano que há séculos me abrigava e caminhei rumo à batalha final.
Nuvens densas iluminaram-se de azul quando um relâmpago abriu um corte na imensidão e desceu rasgando os céus, para explodir sobre o duro chão do deserto. Era o sinal de Deus, revelando que o acordo de tolerância havia se quebrado.
Querubins pálidos e de olhos negros desdobraram suas asas de fogo e decaíram rumo a terra, arrastando consigo as oito ordens angelicais, até então adormecidas nos refúgios do Paraíso. Anjos da guarda abandonaram seus postos e deixaram seis bilhões de humanos a esmo para voltarem aos céus e reforçarem o exército divino.
Logo atrás, engrossando a avalanche celestial, vi os três santos guerreiros, do alto de seus cavalos, darem ordens de combate a seus dez mil colegas, todos eles, do mais frágil São Francisco a mais pacífica Madre Teresa, ansiosos para se baterem com o Mal frente a frente.
No centro do glorioso exército, vestido de branco, estava o rei do céu e da terra materializado na figura do filho. O Cristo olhava sereno para o fim dos dias, pois abrigava entre as mãos a mais poderosa arma dos soldados divinos, armazenada sob a forma de um pombo tranquilo.
A Virgem Altíssima segurava a mão direita do Messias e rezava baixo pedindo que Deus fosse misericordioso com os homens. Seus olhos iluminavam-se a cada clamor, mas seu coração sentia que talvez ela não fosse atendida.
Isto porque se sentia na atmosfera a densidade da ira divina, acumulada durante eras e eras de paciência e abnegação às desgraças provocadas pelos humanos, fracos o suficiente para caírem na sedução da língua bifurcada do demônio.
Atrás de Cristo e sua mãe, todas as cem bilhões de almas bondosas resguardadas no conforto do Paraíso já sabiam quais lá embaixo seriam os indivíduos eleitos a se juntarem a elas.
Para aquele momento, estava escrito que não bastava estar vivo ou morto para alcançar a vitória. Esta nasceria do encontro misterioso entre o Bem e o Mal, da junção de ambas as forças, conforme fora antes da Queda.
Entretanto, nem mesmo Deus havia lido aquele capítulo, cujas páginas seriam escritas dali para frente.