quarta-feira, agosto 29, 2007

Encomenda

Mama mia me pediu uma história sobre cidadania pra aplicar não sei onde. Foi então que bolei...

Joãozinho sem sono

Todos os dias, uma dúvida martelava a cabeça de Joãozinho, tirando-lhe meia-hora de sono. A coisa era simples de resolver, bastava um pergunta. Foi o que ele fez, assim que seu pai voltou do trabalho.
- Pai, porque todos os dias eu tenho que dormir cedo?
- Acha que nove e meia da noite é cedo?
- Mas, é claro.
O pai de Joãozinho não era general, brigadeiro ou almirante – porém, tinha a maior cara de bravo! Impossível não obedecer a suas ordens. Joãozinho mostrava coragem maior do que seu um metro e poucos aparentava.
- E a que horas o senhor acha que deveria dormir?
- Ah... Quando me desse sono!
- Discordo absolutamente.
Não era justo! Joãozinho estudava quando queria jogar videogame, tomava água quando queria Coca-Cola, comia alface quando queria doce, tomava banho quando queria jogar bola – e dormia quando queria ver filme! O mundo era mesmo ao contrário.
- Mas...
- Sem “mas”, nem “menos”.
- Eu nunca durmo na hora que você fala pra eu dormir.
- Como não?
- Ué... Eu nunca tô com sono às nove e meia... Aí, fico acordado, pensando...
- Pensando em quê, posso saber?
- Num monte de coisas...
- Pensando em quê, posso saber?
- Ah, fico pensando no que eu podia tá fazendo ao invés de tá lá fingindo que tô com sono!
- Você deveria pensar que tem aula no outro dia e tem que acordar cedo!
- Eu também penso nisso... Mas, mesmo assim, o sono não vem!
- Moleeeeque...
- Ah, pai... Ninguém na minha sala dorme às nove e meia!
- OK... Vamos fazer um teste, então. A que horas você quer dormir?
- Posso escolher?
- Meia-noite tá bom pra você?
- Tá!!!
Feito. Naquele dia, quando o relógio marcou nove e meia, Joãozinho deu risada! Todo orgulhoso, subiu para o quarto e ligou o videogame. Sua mãe estranhou a luz acesa e foi lhe dar a bronca. O marido, porém, segurou-a no meio do caminho.
- Relaxa, Vi... Eu e ele temos um acordo.
Na manhã seguinte, tudo ocorreu bem. Joãozinho levantou-se, foi pra escola, voltou na hora do almoço. De tarde, foi jogar bola no quintal do Marcinho. Voltou, jantou e zoou a noite toda: TV, filme, videogame, quadrinhos... TV, filme, videogame, quadrinhos... TV, filme, videogame, quadrinhos... Até a meia-noite, quando foi dormir todo contente e esgotado.
No outro dia, foi difícil acordar. A mãe o chamou uma, duas, três vezes. Levantou na marra, tomou o café dormindo em pé e foi estudar. Voltou cansadão. De tarde, não quis jogar bola no quintal do Marcinho. Tava com sono, queria dormir, mas, tinha lição de matemática para fazer. Jantou e se sentou no sofá, entre o pai e a mãe. Eram dez para as nove quando deu o primeiro bocejo.
- Com sono, Joãozinho?
- Não, pai... De jeito nenhum!
- Tem certeza?
- Absoluta... Ainda tenho um monte de coisas pra fazer até a meia-noite!
Não eram nove e vinte quando ele começou a roncar. Seu pai o pegou no colo e o levou para o quarto. Pela manhã, ao despertar, Joãozinho nem sabia como tinha chegado lá.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Pela janela

Amanheceu feio na cidade de São Paulo.
Quando faz assim, algo pode acontecer de bonito?

domingo, agosto 26, 2007

Tempo

Hou hou!
Domingão se vai e a segunda chega sem emprego!
Se bem que ainda resta uma hora...
Para mudar, não é preciso mais que um segundo.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Seres imaginários

Se eu tivesse uma namorada chamada Graça, que me largasse e sumisse sem deixar recado, assim eu escreveria:

Onde você está?
Nem imagino!
E sem imaginação, não tem Graça.

Como não tenho, fico sem escrever nada. Fui!

quinta-feira, agosto 23, 2007

Botafogo 3 x 1 Corinthians

Felipe, você não merece o time que tem.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Velharia 2

Achei outra crônica, do mesmo ano, para a mesma disciplina (é lógico). E mais uma vez há um busão na história e um título meio religioso. Ô vida! Toma:

O RITUAL

I

Que calor insuportável! Todo dia, a mesma história: ônibus lotado, gente saindo pelo ladrão. Lá estavam eles dois, desconhecidos, um ao lado do outro – de pé, segurando um monte de livros.
Academia de ginástica? Pra quê? Coisa de mauricinho que nunca andou de ônibus. Pra isso aqui é que precisa ter força. Lá estavam eles, os dois desconhecidos, se contorcendo a cada curva. Era até bonito se ver: toda aquela gente, dançando no mesmo embalo; o balé do busão.
Ponto. Tchi-tchiii... O ônibus pára. Seis pessoas descem. Lá estavam eles, os dois desconhecidos, de frente a um banco vazio. Agora é só ver quem é mais rápido no gatilho.
Ué? Que história é essa? Lá estavam eles, os dois desconhecidos, ainda de pé! E o ônibus virando, e o ônibus brecando, e o ônibus enchendo... Pelamor de Deus, gente! Vamos sentar aí! Vão perder a oportunidade!
Foi quando começou.

II

Lá estavam eles, os dois desconhecidos, a se analisarem. O de cá olhou e viu: o de lá tinha dois livros a mais. E agora?, pensou o moço.
O de lá, de rabo de olho, também notou: o de cá fazia Medicina e carregava um livro maior que ele. Ô caramba!, meditou.
O de cá olhava pro de lá e dizia (sem dizer nada): vai meu, senta aí! O de lá olhava de volta e respondia: não, não, muito obrigado. Senta aí você!
O de cá, gentileza pura, resolveu dar um passinho pra trás. O de lá, mais gente boa ainda, deu dois.
Mas o que que tava acontecendo? Lá estavam eles, os dois desconhecidos, com frescura pra sentar no banco!

III

O de cá, vendo que não dava em nada, fingiu ignorar. Que banco? Eu não tô vendo nada!, ele pensava. O de lá gostou e adotou a tática: começou a assobiar.
Ia longe.
E foi mesmo.
Durante toda viagem, ninguém se sentou. Nem o de cá. Nem o de lá. Nem eu, o narrador... Nem ninguém. O banco seguiu sozinho.

terça-feira, agosto 21, 2007

Velharia

Agora a pouco eu tava fazendo uma limpa no computador e achei esta crônica. Ela foi feita para a disciplina de jornalismo impresso, 4º ano de jornalismo, coisa de três anos atrás... Crônica tem sempre um pouquinho de verdade e um pouquinho de mentira. Mas, não é isso o importante. Taí:

O MISSIONÁRIO

Parou na minha frente, estendeu a mão como se jurasse, arregalou os olhos e disse:
- Deu Zé Tudo?
Quem? Zé Tudo? Dei de ombros.
- Deuzi étudo?
Minha nossa! E o ônibus não chegava. Insistiu:
- Deus é tudo?
Ah, sim... Deus é tudo! Bom, é uma boa pergunta, eu...
- Deus é tudo?
Que desesperado! Eu n-não sei... Pode ser. Alguns dizem que sim. Outros que não. Uns afirmam que Ele não é nada! Além disso, e o Diabo, onde fica?
- Deus é tudo?
Era assim mesmo, ele não calava. Perguntava e parava, com cara de cachorro pedinte, a mão jurando, os calcanhares juntos.
Mais que pergunta maldita! Àquela hora da manhã! Mal sabia como tinha levantado da cama e o homem queria que eu respondesse por séculos de filosofia. Pergunta pra Kant, pra Nietsche, pra dona Maria ali da esquina! Eu tô atrasado e esse ônibus não passa!
- Mas... Deus é tudo?
Aproximava-se. Olha lá, hein, meu senhor... Não te dei intimidade! Vem chegado aí do nada, falando baboseira! Vai encher o saco da pu...
- E Deus, é tudo?
Rapaz do céu! O povo em volta já tava olhando. Que figurinha! E o senhor, quem era? Vai ver, nem sabia! Era um doido! Isso era!
- Deus é tudo?
Meu Deus do céu, o que que eu faço agora? O homem não desconfia! De que buraco veio um bicho desse?
- Deus é tudo?
Deusétudo, deusétudo, deusétudo... Que inferno! Deus é...
- Tudo, meu senhor!!! Deus é tudo sim!
Sorriu e partiu, levando sua resposta. Lá na frente, perguntou de novo, pruma moça que passava:
- Deus é tudo?
Aqui, no ponto, o ônibus chegava.
- Graças a Deus!

terça-feira, agosto 14, 2007

Grude

O Criança Esperança foi no fim-de-semana passado - mas, a musiquinha permanece!!!!
"Ter um amigooo, na vida é tão bom ter amigooo..."
Se eu acordar mais um dia cantando este troço, vou doar R$ 30,00 para o Hugo Chaves cortar o sinal da Rede Globo!

quarta-feira, agosto 01, 2007

Parnasiano 2007 ou Chutando cachorro morto

Oh! vaso grego,
tão belo, tão puro, tão limpo!
Tu, que vens lá do Olimpo
- bicudar-te-ei!!!