domingo, agosto 27, 2006

Será?

Foi só os caipiras na capital inventarem de ir à praia amanhã cedo que o tempo virou: do calor infernal à ventania que antecipa a chuva.

Será que ela vem?

terça-feira, agosto 22, 2006

Canções

Algumas canções têm umas letras tão abstratas e poéticas que a própria Poesia e a própria Abstração se abraçam e choram, pois não entendem nada do que tá alí. Por exemplo, esta:
"Quando Deus te desenhô, ele tava namoranu...
Quando Deus te desenhô, lá lá, ele tava namoranu
Na beira du maaar, na beira du mar du amor...
Na beira du maaar, na beira du mar du amooooooooor!"

Não sei vocês, mas eu sinto muita pena dessa namorada de Deus... Isso não era hora de desenhar! Talvez Ele seja um profissional do traço e tava com o prazo ultra-estourado, mesmo assim, não justifica. Ela deve estar p da vida. Porém, né, temos de pagar pau, pois desenhar e namorar ao mesmo tempo não é tarefa fácil - só o Pai mesmo. Aliás, quem será a tal guria, que nem a Caras (nem a Bíblia!) ouviu falar? Ainda bem que temos o Armandinho e sua bela canção, senão, nem namorada saberíamos que Ele tinha! Realmente: Armandinho, o iluminado! Contudo, nem ele sabe nos dizer uma coisa: mar do amor? Mar do amor??? Que p*** é essa?
Muito complicado.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Revolução

O maior martírio do mundo moderno, em que trabalhar é tudo, o dinheiro é pouco e o resto é resto, certamente, é levantar pela manhã.
Digo levantar, não acordar. Acordar nem é tão difícil. Mas, levantar, nossa! O rádio-relógio toca e você não acredita. Fica mais cinco minutos, duram cinco segundos, olha de novo as horas e não acredita. Gira pro outro lado, envia a cabeça no travesseiro e se pergunta: "por quê"? A resposta não vem, é o sono quem volta e, sem perceber, você já está mais cinco minutos avançado no tempo, acordando num pulo, a cabeça tilintando de tanto lembrar as tarefas do dia que chega.
Isso acontece até com os vagabundos. Mesmo os bebês devem viver este embate matinal. O sono é tão bom, a mente esfria, nos leva pra outro lugar. Porém, as horas passam e cada grão que desce pelo funil da ampulheta nos arrasta e nos enterra mais.
Morte ao despertador, inimigo-mor da humanidade, vilão inclemente, sádico, torturador, que nos lembra toda manhã o quanto de nada valem nossas vontades, o quanto a vida é sem sentido, o quanto o homem é controlado pelas próprias regras que cria.
Um dia o sono coletivo vai ser tão grande que se tranformará na greve mais poderosa, generalizada, abarcando todas as classes, estendendo-se por todo mundo. E a causa não será outra senão a única que valhe a pena. Salário baixo, direitos ausentes, chefe opressor, transtornos outros, tudo isso é consequência. Pois a luta é contra os cegos, surdos, insípidos e inodoros que nos tornamos cada um de nós a nós mesmos.
E, neste dia, quantos todos assim, simplesmente, dormirem, a energia da Terra vai ser tão boa que Ele vai deixar o universo em que se esconde e voltar pra ver e reconhecer que, de novo, nos tornanamos um lugar bacana para se morar.
Então, enfim, durmiremos com Deus, como desejam nossos pais há séculos.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Nota

Meu povo, o Eita Peste! tá abandonado, mas vive!
Não tenho escrito porque tô sem assunto. Mesmo assim, algumas novidades pintaram por aqui, mesmo que ninguém tenha reparado.
Apaguei alguns (vários) textos. Tirei quase todas as poesias e posts sem dose de cotidiano. Deixei alguns, por serem bobinhos ao ponto de descartáveis e tudo mais. Acho que fica melhor assim, o blog mais perto do chão, sem literatura, mais jornalzinho furreca das coisas que vejo/escuto/cheio/etc por aí.
Além disso, ao invés de "alinhado à esquerda", agora vai tudo "justificado".
Em breve nóis vorta, quem sabe.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Eleições 2006

Tava pensando em votar nulo. E ia fazê-lo sem dor na consciência.

Nunca fui e não sou interessado por política. Mas, como dizem (e o dizem com razão) a política está no dia-dia de cada um. Nós a praticamos inconscientemente. Se um nobre pensador da antiguidade não tivesse criado o termo política, em si, ela seria até mesmo mais legal, pois hoje em dia estaria livre dos pré e pós conceitos que adquiriu desde que inventaram tal palavrinha. Pois, como disse o Neil Gaiman: "o nome é a primeira coisa que a gente esquece", ou algo assim. Vai-se o nome, fica o que ele trouxe consigo.

Bom, ia votar nulo não porque a política é uma droga, ou porque a meia dúzia de partidos brasileiros são hexagêmeos, ou porque os políticos são, majoritariamente, mafiosos interesseiros. Ia votar nulo por falta de interesse, simplesmente por falta de vontade em opinar. Esta falta de vontade não seria culpa única da bagunça que fez o PT (partido que até 2002 depositei fé) e seus aliados na política nacional. Seria, antes, coisa minha.

Oras, o voto nulo é tão legítimo quanto escolher o candidato X ou Y. Ele representa o "lavo minhas mãos" de Pilatos, o zero na aritmética, ou ainda o "ah, você que sabe" que a gente diz pra namorada quando não resolve bem qual filme ver no cinema. Hoje em dia, acho mesmo que desde sempre, a família, os amigos e a sociedade cobram do indivíduo uma opinião. Eis a questão: minha cabeça nunca teve grande vocação para ponto final. Sou muito mais o de interrogação.

Isso, na maioria das vezes, é uma droga! Continhas de mais acabam se transformando em equações do vigésimo grau, tantas as variáveis que uma personalidade rocambolesca é capaz de inserir no assunto.

Em 2002, contrariando meu próprio jeito de ser, tinha certeza de que o Lula era a melhor opção. Sabia que ele não traria a revolução, mas tinha plena confiança de que seu governo seria diferente dos oito péssimos anos anteriores. Hoje vejo que não foi a esperança que venceu o medo, e sim a ilusão.

Neste ano, não sei quem é o melhor. Só sei que não quero o Lula novamente, e isso já abre uma possibilidade de escolha aos outros cinco candidatos. Já é um passo para não anular o voto. Mas, desses cinco, quem? As dúvidas vêm e não se vão.

Tava pensando em votar nulo. E, talvez, ainda vote. Ou, talvez, ainda caia no clichê e escolha o "menos pior". Não é uma má idéia. Afinal, não me comporto como o melhor dos eleitores.

terça-feira, agosto 01, 2006

1 ano

Um ano de trampo hoje!
Eita nóis...