quinta-feira, março 30, 2006

O verdadeiro...


O verdadeiro cê ú do mundo!

terça-feira, março 28, 2006

Desenhar

Desenhar é bem mais difícil que escrever. Escrever "maomeno" não requer grandes esforços. Oras, todos estamos habituados a lidar com a língua desde pequeninos! Na escola, do maternal ao terceiro colegial, nos ensinam a juntar as letras e formar palavras, juntas palavras e formar frases - e daí orações, parágrafos, textos etc.

Desenhar ninguém aprende. Você, um dia, rabisca algo meio que sem querer, olha aquilo e repara: "nossa, até que ficou legal!". Os amigos olham e também acham bacana. De mão em mão, teu rabisco roda a sala toda e te transforma no desenhista oficial da turma. Porém, isso não quer dizer que você saiba desenhar. Afinal, só sabe quem aprende - e, relembremos, ninguém te ensinou a fazer isso.

O que deve ser relevado é que, tecnicamente, todos conseguem desenhar. O princípio é o mesmo: se, para formar uma palavra, precisamos unir as letras certas, para fazer uma figura, é preciso arranjar as linhas certas. Entretanto, ninguém que consegue fazer casinha com chaminé soltando fumacinha vai bater no peito e sair por aí dizendo: "eu desenho!". Homem estranho, pois quando transportamos esta lógica à escrita, qualquer um que consiga elaborar a frase mais simples pode dizer: "eu sei escrever".

Sabe mesmo? Escrever é só isso? Por que desenhar também não é só assim, então? Caramba!, desenhar não é vocação, não "tem que nascer sabendo", muito menos depende de inspiração. Quanta baboseira!

Como toda atividade que requer coordenação e concentração, desenhar é, em parte, exercício. É a fase quantitativa da coisa: quanto mais, melhor. O mesma serve para jogar bola, montar um quebra-cabeças, jogar video-game...

Como toda atividade que exige massa cinzenta, desenhar também é estudo. É a parte qualitativa da história. Conhecer o traço de outros desenhitas, ler sobre a área, observar e dissecar as partes, arranjá-las e sintetizá-las num todo, mostrar seus desenhos para gente com maior conhecimento, copiar e entender como um sujeito que você admira fez determinado trabalho - e por aí a fora.

Dá trabalho! Além disso, desenhar é também lutar consigo próprio. A idéia que você guarda na cabeça é tímida, precisa de muito jeito pra sair de lá e se transformar no papel. Você faz um traço e fica uma droga. Você faz outro e fica pior ainda. Pensa em desistir, aceitar que não tem jeito pra coisa... Contudo, teima, teima e tenta e consegue. Talvez não vá sair exatamente como você queria, mas algo sai. Não fique chateado. Esse tipo de controle não cabe totalmente a você. Just let it flow.

Talvez você nunca consiga desenhar como o Ivan Reis, o John Romita Jr., o Ikegami, sei lá. Desencana! Seus traços refletem sua natureza. Busque o melhor dentro de você, e não o melhor espalhado ao redor, pelo mundo. Mesmo estes que julgamos "os bonzões" também sofrem para rabiscar algo decente.

Nem todo jogador torna-se um Ronaldinho Gaúcho. Contudo - e ainda bem - as virtudes do futebol não estão contidas somente nos pés dele.

Aos dramáticos

Não transforme uma dor de cabeça em traumatismo craniano.

segunda-feira, março 27, 2006

BBB 6

Agustinho saiu ontem e muita gente dançou no palpite. Eu também pensei que ele seria um dos finalistas.

Em meio aos outros concorrentes, o carioca e Mara representavam o povo no BBB. O programa sempre faz isso: pega um balde de seres atléticos e descolados e tempera com pitadinhas de "gente como a gente".

Dessa forma, a identificação do telespectador com os participantes rola em três níveis: o da vontade de (de ser bonito igual fulano, de ter os peitos como os de ciclana etc.); o da semelhança ("nossa! eu iria fazer exatamente o que ele(a) fez!"); e o da culpa ("putz, o cara realmente precisa da grana!" ou "que vida dura ela leva!").

Geralmente, vence o competidor que tem um pouquinho das três características. E isso quem assiste vai descobrindo ao longo do programa, pois, no início, cada um dos "brothers" entra estereotipado.

Dos quatro que haviam restado, ia com a cara de todos. Agustinho era o "mão na massa", o gordinho gente boa que todo mundo conhece e se orgulha de conhecer. Mara era a mãe, a mulher de pouca cultura, que, contudo, tornou-se sábia devido aos tropeços da vida. Rafael é engraçado e sem malícias, fala e faz tudo na lata, porém, sem ser agressivo ou indiscreto. Mari é a musa, a bela de rosto, de corpo e de coração.

Diferente do que poderia se imaginar no começo, Mari e Rafael são tão simples e humildes quanto Mara e Agustinho. Isso quebrou todas as previsões.

Qualquer um dos três "sobreviventes" merece o prêmio. Não sei dizer qual deles vai ganhar. Se o ganhador for escolhido pela necessidade financeira, a Mara irá vencer. Se for pela beleza, Mari. Se for pela espontaneidade, Rafael. Boa sorte a todos!

***

Uma grande parcela de pensadores, intelectuais, pseudo-intelectuais, vigilantes etc. execra o Big Brother. Motivos não faltam para se criticar o programa. Ao seu favor, porém, ele tem uma máquina poderosa: a Rede Globo.

De novo: uma grande parcela de pensadores, intelectuais e por aí a fora simplesmente execra a Rede Globo. Motivos não faltam para se criticar a emissora. Contudo, para o bem e para o mal, ela consegue transformar qualquer coisa em algo voltado para todas as idades, para a família, em suma.

Assim, não é a toa que escalaram o Bial e não o, sei lá, Cabeção da Malhação para apresentar o programa. Não é a toa que as edições parecem novela, criando personagens e situações. Não é a toa que as provas são gincanas ou desafios a la colônia de férias.

Dessa forma, acostumados que somos todos nós brasileiros ao jeitão da Gróbis, o programa transforma-se na sexta novela da emissora, uma espécie de novela das 10. A gente gruda naquilo e durante meses acompanha as desventuras da nave Big Brother pelo tortuoso caminho da fama, da sorte e do milhonato.

Fods... Mas é assim que é :)

sexta-feira, março 24, 2006

Luz

Rojão estourou no céu e assustou a passarada. Era festa na roça.
Maria, porém, não festava nada. Estava triste, pois viu que o rojão, quando explodiu, espantou mais coisas além de pássaros.

terça-feira, março 21, 2006

Oi

Depois de 11 dias de abandono, eis que o Eita Peste recebe mais uma atualização!
Por onde andava o seu autor? Andava por aí, fazendo nada de interessante - com pouca coisa para contar da vida, então. Nestas circunstâncias, o melhor é ficar quieto e não encher o saco de ninguém.

Mas, hoje, o que temos pra dizer? Nada, ainda. Silenciemos novamente.
Prometo que demoro menos pra voltar, dessa vez.

sexta-feira, março 10, 2006

Dos meus erros de português

Camões, o véio Machado, Drummond, entre outros ilustres, devem se revirar nas covas cada vez que solto uma bomba, atentando contra a Língua Portuguesa.

Estava relendo um dos posts alí abaixo e vi "tragédia" escrito com J! Eita peste!
Conserto meu erro ou deixo minha burrice exposta e que se dane?

Bom, tá errado mais tá valendo. Com G ou com J, a tragédia é a mesma...
Ou não! Tragédia com J é duas vezes mais trágica: adota à forma o conteúdo.

Sendo assim, deixo como está e vamos vivendo. "Nóis capota mais não breca!" :P

quarta-feira, março 08, 2006

Mais um

Pessoal, fiz outro blog:

www.lucaslourenco.blogspot.com

Este é só de desenhos. A intenção é montar um portfólio (sem-vergonha, mas um portfólio).
A primeira imagem é uma velha conhecida dos amigos do Eita Peste! Pra dar sorte...
Em breve, mais e mais desenhos.

* Um dia ainda faço um site decente.

segunda-feira, março 06, 2006

Reconforto

Muitas vezes é um saco - e desnecessário: ficar estilizando as coisas.
Todo mundo que escreve, desenha, pinta, dança, sei lá! tem isso. Não basta informar, não basta ser compreensível. Tem que firular. Pôr "A" marca.
Gente que escreve até em bilhete de geladeira alisa as palavras ---> Quem disse coisa parecida foi o Paulo Briguet, lá de Londrina.
Então, é chato, pois até escrever mal não é somente isso, pois é feito com o rebolado próprio do autor. Aí, o que era fezes torna-se a fezes do Fulano...
Bom, raro e surpreendente mesmo é alguém que não sabe nada soltar uma preciosidade, sem querer, sem propósito, sem suar anos de exercício.
Assim, todo escritor já sai em desvantagem e todo livro é de segunda.

sexta-feira, março 03, 2006

Palmeiras 3 x 2 América Nacional

Apesar de não ter passado na Rede Globo, esse eu vi: ao vivo, em cores, de carne e osso e espírito presentes! Era eu um dos 17 mil e poucos pagantes pendurados na arquibancada azul do Palestra Itália. Minha estréia no estádio, primeira vez que assisto o Verdão aqui em Sampa.

Diferente do que imaginei, foi tranqüilo comprar ingresso. Era chegar e comprar, sem fila, sem espera. Bom nessa parte, mas sinal de que o estádio não estaria cheio. E não estava.

O jogo começou e terminou como seria que seria: um dramalhão que quase se tornou trajédia. A defesa do Palmeiras dá mais medo que o Michael Jackson virado do avesso; o meio-campo é mais lento que o Rubinho amarrado; o ataque mais confuso que a Luciana Gimenes.

Apesar dos pesares, a vitória chegou. O Sérgio não é o Marcos, mas pegou um pênalti (eu, como praticante da posição, vibrei mais que nos gols), o Marcinho 5 continua melhorando e jogando como manda seu sobrenome e o Edmundo é phoda! - o único que pega na bola e deixa a torcida tranqüila...
...

Sem orgulho nenhum, digo que estádio de futebol é lugar pra homem. Você gira 360 graus e só enxerga homem! São 17 mil agoniados pagando pra ver 22 desesperados por uma bola! E como todo lugar cheio de homem, palavrão transforma-se em vígula, o dedo médio em riste vira cumprimento, a mãe do juíz e - mais ainda a do bandeirinha - torna-se amante de todo o mundo! E haja pênis, vagina, esperma, ânus e fezes pra satisfazer a fúria do torcedor frustrado. O gordinho nerd ao lado solta um puta que o pariu! altíssimo no meu ouvido; o magrelo cheio de espinhas nas costas manda o juíz enfiar o apito no rabo; o tiozão paulistano da Moóca berra um "morfético filho da puuuta!" aos quatro ventos; o David meu camarada execra a zaga alvi-verde e eu, um sujeito tão calmo, mando o ataque para aquele distinto lugar. Caralho! :)

Por sorte e alegria e paz do mundo, pontilhando a multidão suada e fedorenta, temos uma mocinha aqui, outra acolá, outra e outra mais alí ao longe... É a pouca dose necessária para que o estádio não se transforme numa bola de pêlo e saia impiedosamente devastando os bairros da cidade. São elas a bandeira branca duma torcida verde de raiva.